Sanepar estuda área a ser inundada
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de janeiro de 1999
James Alberti 
A Sanepar acredita ter encontrado três sítios arqueológicos indígenas na área onde constrói a Barragem do Iraí, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. A empresa contratou dez profissionais, dentre os quais três geólogos, para fazer as escavações e análise dos objetos encontrados. O trabalho custará cerca de R$ 40 mil e deve ser concluído em três meses, antes, portanto, da inundação da área, prevista para daqui a um ano.
O coordenador das obras da barragem, Sherman Cordeiro, disse que o cronogroma da obra não será afetado, a exemplo do que aconteceu com a descoberta do pássaro Macuquinho no ano passado. Como não havia estudo sobre a espécie, o Banco Mundial, que financia a contrução da barragem, determinou a suspensão dos trabalhos por um mês, prazo usado para estudos.
Os três sítios arqueológicos, segundo Cordeiro, foram acampamentos. Ele acredita que os geólogos irão encontrar peças de caça e pesca, como pontas de lanças, machados de pedras e objetos de cerâmica. Cordeiro disse não saber de que tribos eram os índios que ocuparam os sítios.
Segundo o coordenador, as peças encontradas devem ser levadas para o Museu de História Natural. A Sanepar também pode manter em exposição no escritório da barragem. Tudo depende, segundo Cordeiro, de que tipo de objetos forem encontrados.
MacuquinhoApesar de não existirem estudos sobre a ave, pássaros da espécie Macuquinho podem morrer quando as águas da barragem subirem. Isso porque nenhuma operação de salvamento será realizada pela Sanepar.
Nem mesmo as entidades ambientalistas e os descobridores da espécie concordam com uma possível operação. Iria causar superpolução em outras áreas, disse Mauro Pichorim, um dos três biólogos que descobriram a espécie.
Ao contrário do que se acreditava quando foi descoberto, o Macuquinho existe em várias regiões do Paraná - de Curitiba a União da Vitória. A população da área ocupada pela barragem, no entanto, é a maior, com 133 pássaros. Pichorim defendeu estudos, que seriam patrocinados pela Sanepar, para verificar a reação das aves ao impacto que a construção da represa causará ao habitat.
Tiaraju de Mesquita, presidente do Gaia do Brasil, um instituto de pesquisa, educação e ação ambiental, acredita que a descoberta do Macuquinho deve servir de lição para empresas como a Sanepar. Elas teriam, segundo ele, que fazer estudos antecipados às construções.
Com a questão ecológica tem que se trabalhar com a prevenção, disse. Mesquita disse que a Sanepar não se preocupou em fazer pesquisas antecipadas sobre a fauna, como determina o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima).


