A Sanepar foi multada ontem em R$ 300 mil por despejar esgoto no Lago Igapó 1, em Londrina. É a sétima multa que a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) aplica à empresa este ano por cometer crime ambiental. Segundo o presidente da AMA, Luiz Eduardo Cheida, no último dia 23 técnicos da autarquia estiveram nas proximidades do Teatro do Lago, junto com fiscais da própria Sanepar e técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). No local foi verificada a infração.
Uma amostra de água coletada foi analisada pelo IAP, que constatou a presença de 160 milhões de coliformes (bactérias existentes no intestino humano) e 24 milhões de coliformes fecais em cada 100 mililitros (o equivalente a meio copo de água). De acordo com resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) a presença máxima tolerável no Igapó seria de mil coliformes fecais em 100 ml.
Cheida informou que irá encaminhar os dados à Promotoria do Meio Ambiente para que sejam tomadas também as providências por crime ambiental. De acordo com a lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), se o crime ''ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos'', a pena prevista é de reclusão de um a cinco anos e multa que varia entre R$ 1 mil e R$ 50 milhões.
O gerente de operação da Sanepar, Nelson Okano, disse que a empresa está preparando sua defesa administrativa. Ele alegou que o vazamento foi ocasionado por entupimento da rede de esgoto. Okano admitiu que esses problemas são frequentes, mas argumentou que a manutenção é feita regularmente. ''Nos pontos críticos é feito o desentupimento prévio'', afirmou. ''Mas é impossível fazer a manutenção diária em mil quilômetros de rede.''
A Sanepar recebeu duas outras multas este ano por lançamentos provocados por entupimento da rede de esgoto. Um no córrego Poço Fundo, na região norte, e um no córrego Tico-tico, na região sul. Segundo Cheida, a empresa também foi multada por lançar esgoto no Ribeirão Cambé, nos córregos Capivara e Água das Pedras. No córrego Poço Fundo foram dois lançamentos. Em todos os casos a empresa recorreu e os processos estão em andamento. As seis multas somam R$ 240 mil.

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