Sanepar é multada por dano ambiental
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Apucarana O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou ontem a Sanepar em R$ 150 mil por danos ambientais causados no Córrego Barra Nova, no município de Apucarana. Segundo o IAP, a Estação de Tratamento de Esgoto Jaboti, instalada no local, estaria depositando no leito do rio uma grande quantidade de resíduos domésticos. ''O tipo de tratamento realizado na estação não é o ideal. A vazão do esgoto está praticamente matando o rio. Não existe mais vida aquática, por exemplo, de modo que o dano ambiental provocado pela Sanepar é muito grande'', relatou o chefe-regional do IAP, Ney Paulo.
A estação responde pelo tratamento de esgoto de aproximadamente 25 mil pessoas, de bairros do Centro e de moradores da Bacia do Rio Ivaí. De acordo com Ney Paulo, o Córrego Barra Nova, que não serve de fonte de abastecimento urbano ou rural, estaria recebendo um fluxo de efluentes da estação muito superior a sua capacidade. ''Você não enxerga mais a cor da água, vê somente esgoto. O rio está praticamente morto'', lamentou. Segundo a empresa, a estação tem uma capacidade de vazão de 76 litros por segundo. ''Notamos que o volume de esgoto que sai da estação é superior à própria vazão do rio'', arriscou o chefe do IAP.
A denúncia partiu de um agricultor que vive na região há muito tempo. Moradores estariam reclamando do desconforto provocado pelo mau cheiro e pelo excesso de lixo no rio. Há 15 dias, técnicos do IAP coletaram amostras da água para diagnosticar o teor de contaminação causado pelos efluentes.
Segundo o coordenador de rede da unidade regional da Sanepar, em Apucarana, Edmar Bolonhesi, a empresa não é a única responsável pela ''morte'' do ribeirão. Bolonhesi afirmou que indústrias da cidade, desrespeitando a legislação ambiental, depositam com regularidade lixo e esgoto industrial no leito do córrego e em trechos da estação de tratamento. ''Esse córrego sofre há muito tempo com a ação dessas indústrias. A qualidade da água é ruim bem antes de onde nossa estação está localizada'', argumentou.
Para solucionar o problema, o coordenador disse que a Sanepar vem trabalhando na tentativa de conscientizar o setor empresarial acerca da gravidade do problema. A Sanepar já abriu um processo de licitação para desativar a estação do Jaboti e construir uma nova, mais moderna e dentro dos parâmetros recentes exigidos pela legislação ambiental.
De acordo com Bolonhesi, a empresa irá recorrer da multa. O prazo é de 20 dias, a partir da notificação do auto de infração.


