A preocupação com a poluição ambiental provocada por ligações irregulares de esgoto encontra na palavra ''escândalo'', escolhida pelo gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, a melhor definição para a situação em Londrina. Entre as 30 mil vistorias realizadas em 2003 foram encontradas 4,7 mil ligações clandestinas. Para combater o problema, ontem na sala de reuniões do Fórum, foi oficializada a parceria entre a Sanepar e órgãos ambientais para o desenvolvimento do Programa de Despoluição Ambiental (PDA) da empresa no município.
Algumas propostas foram levantadas para reduzir o número de ligações irregulares na cidade, além da vistoria de 60 mil residências de Londrina e Cambé. A Sanepar acredita conseguir identificar pelo menos 9,4 mil ligações em situação irregular. Inicialmente serão revistoriadas as 4,7 mil residências em que já foi passado o pente fino.
A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente sugeriu que a empresa subsidie ligações para pessoas carentes. ''Se houver a necessidade de interposição judicial, os gastos com os custos judiciais será maior para as pessoas'', ressaltou a promotora Solange Vicentin. Bahls condicionou o benefício a um estudo a ser feito pela empresa.
Recentemente, ligações irregulares provocaram o alagamento com esgoto em 10 moradias do Residencial Ilha Bela (Zona Leste). Numa vistoria, a Sanepar identificou que 50% das moradias apresentavam o problema.
Engrossando o caldo podre das ligações inadequadas de esgotamento de água da chuva na rede de esgoto ou o contrário, e ligações de esgoto doméstico na rede pluvial, cerca de 8 mil londrinenses que têm rede de esgoto na porta de casa ainda não fizeram a ligação. O investimento da Sanepar desperdiçado por cada família é de R$ 1.400,00. ''Sobre essa situação, esperamos que haja um esgotamento das vias factíveis mas existe a possibilidade do Ministério Público exigir que esses moradores façam a ligação'', explicou a promotora.
Em Londrina, 100% do esgoto coletado é tratado nas quatro estações, antes de voltar para os rios. Porém, 67% da população utilizam a rede coletora de esgoto, o que compreende 70.497 ligações.
Os moradores próximos às obras dos 82,7 quilômetros de rede coletora e que numa primeira etapa abrangem 21 bairros estão recebendo panfletos da Sanepar alertando sobre os cuidados com o meio ambiente. Material entregue também sete dias antes das vistorias.
''As estações de tratamento de esgoto são projetadas para uma demanda londrinense de até 20 anos. A Estação Sul, por exemplo, trabalha com 50% de sua capacidade. Dos 4 milhões de metros cúbicos de água tratada pela Sanepar, 83% acabam virando esgoto, o que dá 3,5 milhões de metros cúbicos'', afirmou Bahls.
A promotora apontou ainda o subdimensionamento da rede coletora de esgoto da cidade, que completou 70 anos, não sendo projetada para um crescimento rápido. Um problema que ajuda a propagar doenças ao lançar nas galerias de águas pluviais esgoto sem tratamento, contribuindo para a estatística brasileira em que a cada seis horas, uma criança morre por uma doença de veiculação hídrica.

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