Pela segunda vez em menos de dois meses, a Sanepar foi autuada ontem por despejo irregular de entulho em fundo de vale. O material foi descartado em terreno no cruzamento das ruas Félix Chenso e Anuar Caram, no Conjunto Semíramis Barros Braga (Zona Norte de Londrina), próximo ao Córrego Cabrinha. A autuação, feita pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), foi motivada por denúncia de moradores da área.
O despejo teria ocorrido cerca de dez dias atrás. Segundo o diretor de Operações da CMTU, João Verçosa, um caminhão de uma empresa terceirizada pela Sanepar teria sido visto na área. ''Os moradores informaram o nome da empresa. Por isso, autuamos quem foi identificado'', ressaltou. A diretoria da Sanepar, porém, nega ter despejado entulho no local.
O gerente geral da Regional Metropolitana de Londrina da Sanepar, Sérgio Bahls, explicou que a obra da companhia na área gera apenas terra, não entulho de construção civil e mato de roçagem, encontrados na área. A companhia pretende recorrer da multa, cujo prazo para recurso é de sete dias a partir da notificação. A retirada do entulho, no entanto, não foi definida. ''A princípio, não vamos retirar. Vamos nos reportar à direção da CMTU porque estão nos multando sem nos ouvir'', queixou-se.
Alheios à discussão sobre a autoria do despejo, os moradores do bairro sofrem os efeitos do abandono. O aposentado Antonio Silva Pereira, 64 anos, que mora na Rua Félix Chenso há mais de 20 anos, disse que o entulho jogado torna o local perigoso. ''Junta gente fica queimando fumo aqui. Eu e minha mulher já vimos gente saindo do meio do mato. Ela até foi ameaçada'', relatou. O aposentado acrescentou que o despejo é constante, também feito por carroceiros e pessoas com carriolas ou caminhões de pequeno porte.
A informação é usada pela Sanepar para eximir-se de culpa. Mas Verçosa ressalta que a CMTU deve multar todos os que forem identificados como responsáveis pelo despejo irregular. ''O problema é que um joga entulho e depois outros também jogam'', salientou o diretor de operações da CMTU. O valor da autuação pode chegar a R$ 1.480,00.
Na primeira quinzena de julho, a Sanepar foi autuada também por depósito de entulho na Rua Wilmar dos Santos, no Conjunto Guilherme Pires (Zona Leste). Na época, a defesa alegou que o material foi deixado no local a pedido da associação de moradores do bairro, para ser usado no aterramento de fossas. Com a sanção imposta pela companhia, o entulho foi retirado e não pôde ser aproveitado. ''Os moradores demoraram muito para fazer o aterramento. Então, retiramos o material e a multa foi cancelada'', afirmou Bahls.
Verçosa, por outro lado, contesta a informação. Segundo ele, não houve cancelamento da multa e o processo ainda está sendo analisado. ''A limpeza do terreno é uma coisa. A multa é outra. A pessoa deve fazer a limpeza, independente da multa'', advertiu.

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