Sanepar dificulta a renegociação de dívidas
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quinta-feira, 15 de março de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Desempregada, a costureira Neusa Aparecida Correia não tem como pagar a conta de luz da casa onde mora sozinha, na Rua Albert Einstein, na Vila Industrial. Como perdeu o pai recentemente, sofre de depressão, além de problemas de hipertensão, por isso destina grande parte do salário-desemprego à compra de remédios.
''Recebei uma ligação da Sanepar dizendo que se eu não pagar os débitos antigos, não poderei renegociar a dívida e terei a água cortada'', explicou Neusa. Ontem de manhã, um funcionário da empresa apareceu na porta dela para desligar o relógio, mas como ela não o atendeu, a água ainda não foi cortada.
''Tive de pedir dinheiro a uma amiga e a um agiota para pagar as contas de janeiro e fevereiro'', disse a costureira, que tentou renegociar com a Sanepar, sem sucesso. ''Pedi que não cortassem a água e esperassem eu receber meu benefício, no dia 20, assim eu pagaria a conta, mas não fui atendida.'' Ainda ontem ela pagou a dívida com o dinheiro emprestado.
Neusa tinha acabado de quitar uma dívida de R$ 800 e devia mais R$ 200 pelos dois últimos meses de consumo de água. ''Sei que devo e vou pagar, mas não tenho de onde tirar dinheiro assim tão rápido, a não ser por empréstimo.''
De acordo com o gerente geral da Sanepar para a região metropolitana de Londrina, Sérgio Roberto Bahls, a nova medida de renegociação de dívidas foi instituida para reduzir o impacto da inadimplência no faturamento da empresa. Hoje, apenas 4,3% dos clientes da Sanepar são inadimplentes, no entanto, o atraso no pagamento das contas compromete 35% dos ganhos.
Ainda segundo Bahls, antes, os usuários acertavam uma parcela e renegociavam o resto da dívida para não ter a água desligada. ''Muitos deixavam de pagar as parcelas renegociadas e ainda assim não perdiam o direito à água''. Hoje, os clientes terão de acertar os débitos, em até 12 meses, para poder renegociar dívidas futuras. ''Se não pagar, fica sem. A saída é usar a água de forma racional para diminuir o valor da conta.''
O gerente informou que famílias de quatro pessoas, que consomem dez metros cúbicos de água por mês, poderão cadastrar-se no programa tarifa social, da Sanepar, e pagar apenas R$ 5 por mês. Quem já tiver dívidas, mas apresentar o perfil citado acima, terá a dívida recalculada dentro dos parâmetros da tarifa social, de forma retroativa.
''Quem foi demitido também poderá cadastrar-se para obter o benefício que permite o acerto das contas no prazo de seis meses a partir da data de demissão. Basta apresentar a carteira de trabalho com o registro da demissão'', assinalou Bahls, ressaltando que no caso de quem paga aluguel é preciso antes obter permissão do dono do imóvel para depois renegociar qualquer dívida com a Sanepar.


