A Sanepar poderá explorar menos da metade da água que pretendia do Aquífero Karst, segundo estudo que deve ser apresentado no II Workshop Projeto Karst, que começa amanhã e termina sexta-feira, na Estância Betânia, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). A empresa esperava retirar 600 litros de água por segundo de uma área de 50 quilômetros quadrados em Colombo. A análise do solo revelou que, para não comprometer a natureza, a empresa poderia retirar apenas 250 litros por segundo. Para obter os 600 litros por segundo pretendidos, a Sanepar teria que estender a rede de captação e os poços por 150 quilômetros quadrados. O estudo foi feito pela Sanepar, Sudhersa, Universidade Federal do Paraná, Comec, Emater e o instituto austríaco Joanneum Research.
Segundo o chefe do Departamento de Água Subterrânea da Sudhersa, o geólogo Álvaro Amoretti Lisboa, coordenador do Projeto Karst, a exploração de água além desse limite pode provocar acidentes geológicos sérios, a exemplo do que vem acontecendo naquele município e em Almirante Tamandaré. A conclusão demonstra que a Sanepar foi com muita sede à fonte. Lisboa admitiu que a Sanepar retirou água demais de uma área muito restrita do Karst, provocando danos à natureza e prejuízo aos moradores da região, como rachaduras em casas, açudes secos e peixes mortos.
O geólogo afirma que somente com a água do Karst a Sanepar poderia abastecer todos os 2,8 milhões de habitantes da Região Metropolitana. ‘‘Isso de forma sustentável’’, diz ele, responsável por autorizar a exploração.
Pelas contas de Lisboa, se a Sanepar aproveitar os 1.500 quilômetros quadrados do Karst que estão próximos à Região Metropolitana vai obter uma vazão de 7,5 mil litros de água por segundo. Segundo ele, produção maior que o consumo atual, que é de 6,5 mil a 7 mil litros de água por segundo. A extensão do aquífero é de 2.800 quilômetros quadrados, em 14 municípios.
Para obter o volume de 600 litros de água por segundo, a Sanepar terá que gastar mais com a rede de abastecimento e poços subterrâneos. Se antes os canos de captação teriam que percorrer apenas 50 quilômetros quadrados, agora a distância recomendada é três vezes maior. Mesmo assim, segundo Lisboa, a exploração do Karst é economicamente viável e a água, de qualidade superior.
O gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, foi procurado pela Folha, mas não retornou a ligação até o fechamento da edição.Estudo mostra que Sanepar terá que reduzir volume de água que retira do Karst, a fim de evitar acidentes geológicos
Albari RosaControleAnálise do solo revelou que, para não comprometer a natureza, Sanepar poderia retirar apenas 250 litros de água por segundoAproveitamento de
todo o Karst poderia
abastecer toda a
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