Sanepar deixa mais famílias sem água
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
A Sanepar prossegue hoje com os cortes de fornecimento de água aos usuários inadimplentes em Londrina. Já passam de mil as residências sem abastecimento e mais bairros da zona norte da cidade vão ter a água cortada. Embora o gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, insista em dizer que não sabe quantos cortes serão efetuados, 1.770 famílias devem ser atingidas até o fim da semana.
Kishima esteve ontem na Câmara de Londrina a convite dos vereadores, que queriam sugerir outras formas de cobrança dos inadimplentes. Segundo os vereadores, muitas pessoas têm procurado por eles alegando não conseguir negociar com a Sanepar. Os vereadores disseram na reunião temer o caos na cidade com os cortes. A empresa começou a interromper o fornecimento para as pessoas que não pagaram suas contas entre março de 2000 a abril de 2001, quando uma decisão judicial proibiu o corte de água.
A decisão foi dada a partir de uma ação movida pelo então promotor Hélio Cardoso, hoje vereador do PSB. Em abril de 2001 o Tribunal de Justiça concedeu à Sanepar liminar permitindo o corte. A alegação de vereadores e da população (são 35 mil inadimplentes) é de que a negociação exigida pela Sanepar pagamento à vista de 50% do saldo devedor e parcelamento do restante impede a quitação das dívidas pela maioria.
Paulo Kishima alegou que dependendo do caso os 50% podem ser reduzidos. O critério para isso é o local em que a pessoa mora. A vereadora Elza Correia (PMDB) disse que muitas pessoas procuram seu gabinete e falam que não têm conseguido a redução. Esse critério é totalmente furado, afirmou.
A vereadora Márcia Lopes (PT) relatou que visitou o Conjunto Novo Amparo, bairro carente da cidade, e verificou que existem 85 famílias sem conseguir negociar as divídas. Os primeiros cortes anteontem atingiram os conjuntos Chefe Newton e Maria Celina, na zona norte. Silvana Santos disse que estava aguardando a medida pois não tem como pagar 50% de sua dívida de R$ 220,00. Ivanilde dos Santos afirmou que só conseguiu negociar porque recebeu o acerto de sua demissão.
O errado foi criarem essa lei proibindo o corte. Fomos enganados, porque agora temos que pagar contas acumuladas, criticou Ivanilde. Na reunião da Câmara entre Kishima e os vereadores, o vereador Hélio Cardoso insistiu no parcelamento em 36 vezes e alegou: Não fui quem inventou isso.
No final da reunião ficou decidido que os vereadores enviarão requerimento à diretoria da Sanepar, em Curitiba, propondo que os cortes sejam prorrogados por 30 dias e que a empresa passe a cobrar uma conta e meia de cada inadimplente por mês, até que toda a dívida que soma R$ 6 milhões seja quitada. Paulo Kishima não se mostrou muito propenso a acatar a proposta, mas disse que irá avaliá-la.


