Sanepar corta água de entidade assistencial
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quarta-feira, 22 de janeiro de 1997
Luka Morais 
Milton DóriaSem saídaO pastor Antonio Paulino Rosa apela às autoridades para que ajudem a manter a entidade: prefeitura não repassa verba há três mesesFuncionários da Sanepar foram ontem de manhã até o número 1.145 da rua Santa Mônica, Vila Santa Terezinha (zona leste), para cumprir a ordem de eliminar o ramal da água. No local funciona o Movimento Evangélico para Libertação de Vidas (Melvi), uma entidade sem fins lucrativos, onde atuam voluntários que ajudam dependentes de drogas e de álcool a deixarem o vício. Atualmente 10 internos estão sendo atendidos pelo Melvi. Não sei como vamos fazer agora sem água, comentou o pastor Antonio Paulino Rosa.
Para cumprir a determinação, os homens da Sanepar utilizaram uma máquina retroescavadeira. Foram dois buracos, um na calçada e outro no meio do asfalto para interromper o fornecimento da água. A conta, segundo informou o pastor, está há três meses em atraso devido à falta de repasse de recursos pela prefeitura. A Sanepar informa que a dívida vem desde 1985.
Substituindo o diretor do Melvi, pastor Claudionor Rodrigues, que está em férias, o pastor Paulino apela às autoridades para que ajudem a manter a entidade. O valor repassado pela prefeitura, diz ele, é suficiente para o pagamento das contas de água, luz e telefone. O resto é mantido pela comunidade.
Sanepar alega que
Melvi foi chamado
para negociar, mas
ninguém apareceu
Procurada pela Folha, a secretária de Ação Social, Marisa Goette, informou que as entidades assistenciais que contam com verbas do município estão há três meses sem receber os recursos. Ela disse que, em contato com os dirigentes, solicitou prazo de 15 dias para encontrar uma solução.
Ao ser informada sobre o problema do Melvi, a secretária afirmou que entraria em contato com a Sanepar ontem mesmo para garantir o fornecimento da água. Ela lembra que entidades assistenciais têm 50% de desconto na tarifa.
O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, afirmou que a direção do Melvi foi chamada para renegociar o parcelamento da dívida mas que não compareceu à reunião marcada para agosto do ano passado. Para ter a água de volta nas torneiras, a direção do Melvi terá que, além de quitar o débito, pagar a taxa para religar o ramal, que é de R$ 82,59.


