CAMPO MOURÃO Sanepar cede e oferece desconto de 20% Taxa de adesão à rede de esgoto virou polêmica na cidade; famílias de baixa renda podem obter desconto de até 80% Sid Sauer De Campo Mourão A Sanepar vai oferecer desconto de 20% aos clientes que aderirem até julho à mais nova etapa da rede de esgoto construída em Campo Mourão. Com isso, a taxa de adesão para pagamento à vista cai de R$ 121,93 para R$ 97,54. Para quem parcelar em quatro vezes (sem juros) de R$ 30,48, a empresa promete não cobrar a tarifa de esgoto durante os quatro meses. Para usuários de baixa renda, o desconto na taxa de adesão é de 80%. A ‘‘promoção’’ da Sanepar para a adesão à rede de esgoto foi comunicada ao Procon de Campo Mourão, através de ofício assinado pelo gerente da empresa na cidade, Carlos Roberto Pinto. O ofício foi uma resposta a uma correspondência que o Procon havia enviado à Sanepar no início do mês, sugerindo redução no preço da taxa de adesão. ‘‘Já conseguimos alguma coisa’’, diz o secretário executivo do órgão de defesa do consumidor, Antônio Reinisz. Para conseguir o desconto de 80% da taxa, que cairá para R$ 24,38, o cliente terá que provar que a renda familiar não é superior a R$ 272,00, que a casa em que mora não tem mais de 60 metros quadrados e que o consumo de água não passa de 10 metros cúbicos. Nesse caso, o cliente também pode ser cadastrado na tarifa social da empresa, obtendo desconto de 63% na conta de água e 50% no esgoto. Juntas, as duas tarifas ficariam em R$ 5,15 mensais. No ofício encaminhado ao Procon, a Sanepar lembra que os preços que vinham sendo cobrados fazem parte de uma taxa única adotada em todo o Estado. A exceção à cidade, afirma o documento, só foi dada ‘‘dentro do interesse da empresa em dotar Campo Mourão o mais rapidamente possível de uma ferramenta extremamente necessária para ampliar o nível de qualidade de vida da população e na redução dos índices de mortalidade infantil’’. A Sanepar alega que a taxa amortiza parte dos investimentos para ampliação da rede de esgoto (no caso da cidade, foram R$ 3,5 milhões). Segundo Pinto, cerca de 70% a 80% das obras têm financiamento. ‘‘O restante é proveniente de receita de serviços de água e esgoto e das taxas de adesão’’. O ofício diz ainda que, apesar do recurso ser ‘‘extremamente necessário’’ para as obras, a Sanepar mantém uma ‘‘postura de flexibilidade’’ na negociação com seus clintes. A cobrança da taxa de adesão para o tratamento de esgoto vem sendo motivo de polêmica em Campo Mourão desde que a rede começou a ser ampliada. No início do mês, moradores de seis bairros da Asa Leste da cidade decidiram não pagar a taxa, considerada por eles ‘‘muito cara’’. Um dos líderes dos moradores, Devair Jesus de Souza, disse ontem que a comissão formada nos bairros ainda vai se reunir para discutir a proposta da Sanepar.