Sanepar apresenta propostas de indenização
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) entregou esta semana as primeiras propostas de indenização de casas atingidas por causa das obras e da exploração do chamado Aquífero de Karst (lençol subterrâneo com 2,8 mil quilômetros de água que passa pelos municípios de Campo Largo, Campo Magro, Almirante Tamandaré, Itaperuçu, Colombo e Bocaiúva do Sul). Na primeira etapa de propostas foram contemplados os sete casos emergenciais detectados em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, onde as famílias perderam suas casas e moram em imóveis alugados pela Sanepar por um valor semestral de R$ 8 mil.
Segundo o diretor de investimentos da Sanepar, Domingos Budel, há nove meses a instituição e as famílias atingidas tentam chegar em um acordo sobre as indenizações. ''Essa foi a primeira proposta formal, que poderá ser reformulada pelos atingidos. Já temos dinheiro em caixa para pagarmos assim que houver uma definição final'', afirmou. Em Almirante Tamandaré, de acordo com ele, nove casas foram atingidas e as famílias terão que ser indenizadas.
Os outros dois casos não contemplados nessa primeira fase ainda estão em estudo. Todos os imóveis que tiveram abalos estruturais considerados graves são da região de Pacotuba. ''Houve um afundamento sério no terreno e irreversível. A Sanepar fez uma exploração sem os devidos cuidados na região e ocasionou o que chamamos de dolinas, ou seja, um aprofundamento natural do terreno'', explicou Budel.
O número oficial de atingidos pela exploração do Karst não coincide com os dados do Instituto Timoneira, organização não governamental (ONG) que trabalha em prol do meio ambiente. De acordo com o presidente Valter Johnson Bomfim, entre 40 e 60 casas foram atingidas em Almirante Tamandaré. ''As famílias estão preocupadas e com medo de não serem indenizadas. Elas vão aceitar o valor estipulado porque querem acabar com esse sofrimento, que já dura mais de quatro anos em alguns casos.''
Em Tamandaré, foram construídos dez poços para captação da água subterrânea. No início, a operação era de 600 litros por segundo. Atualmente, é de apenas 100 litros por segundo.


