Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
Moradores de Arapongas estão revoltados com a falta de água. Quase 15 mil pessoas ficam até 12 horas, principalmente durante o dia, sem o abastecimento feito pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Os casos mais graves estão nos conjuntos distantes da estação de tratamento como a região do Flamingos, na saída para Rolândia, e no conjunto Palmares, na saída para Apucarana.
A Sanepar revela que 20% dos 80 mil moradores enfrentram diariamente esse sufoco. Renê Oliveira Santana, 50 anos, morador da rua Anambezinho, no conjunto Palmares, diz que a falta de água tem sido insuportável.
‘‘Esse problema tem causado todo tipo de transtorno para os moradores. As mulheres passaram a lavar roupa de madrugada, enquanto os trabalhadores só podem tomar banho depois das 23 horas, quando a água chega. Isso é um absurdo, e temos procurado denunciar esse descaso para os responsáveis pela Sanepar no Estado’’, desabafou Renê. Quando o abastecimento é interrompido por mais de 24 horas, a alternativa tem sido o caminhão-pipa da prefeitura.
O gerente da Sanepar em Arapongas, Sérgio Lovato, confirma a deficiência do abastecimento. Ele explica que são três as causas: a interrupção para a interligação do novo sistema; a longa estiagem; e as altas temperaturas, atípicas na região neste período. Lovato diz que a situação ficou mais crítica a partir do dia 22 de agosto, quando foi feita a interrupção para a interligação, e toda cidade ficou sem água durante 10 horas. ‘‘Temos pedido à população para ter paciência porque tudo isso é decorrente de problemas operacionais, do próprio crescimento de Arapongas, que tem sido de 5% ao ano, muito acima da média estadual que está abaixo de 3%’’, diz o gerente da Sanepar.
Lovato garante que tudo começará a se resolver a partir do domingo quando entra em operação a nova estação de tratamento. ‘‘A nossa capacidade passará de 600 mil litros/hora para um milhão de litros/hora. Como Arapongas utiliza hoje 750 mil litros/hora, teremos um superávit’’, afirmou. Um projeto chamado ‘‘Plano 2000-2020’’ garantirá a solução definitiva para as próximas duas décadas. Ele explica que falta apenas a viabilização dos recursos, orçados em R$ 4,5 milhões.

mockup