Denúncia foi feita por uma mulher que pagou R$ 25,00 por um serviço em seu apartamento
Emerson Cervi
Especial para a Folha
A procuradoria jurídica da Sanepar deve apresentar hoje uma representação criminal na Delegacia de Estelionato de Curitiba pedindo abertura de inquérito para investigação de golpes aplicados por falsos funcionários da empresa na cidade. Uma moradora do bairro Seminário, que prefere não ser identificada, denunciou à Sanepar na terça-feira, que uma pessoa, dizendo ser funcionário de empreiteira contratada pela Sanepar, cobrou R$ 25,00 para fazer uma revisão no sistema hidráulico do apartamento onde mora sua avó.
A vítima anotou o número das placas do carro em que estava o suposto funcionário. Com isso, a empresa conseguiu a identificação do suspeito. Assim que a representação for apresentada, a delegacia de estelionato de Curitiba abrirá um inquérito policial para investigar o caso. ‘‘Ele telefonou antes e disse que vinha fazer uma vistoria, encontrou um vazamento no sifão da pia do banheiro e cobrou R$ 25,00 pela troca de uma borracha’’, afirmou a vítima, que desconhecia a existência do problema.
O falso funcionário se identificou como Vladimir mas não usava crachá da Sanepar ou de empreiteira contratada. ‘‘Eu liguei para o telefone que ele deixou e era de uma central de pager, não da empreiteira’’. A vítima pediu um recibo pelo pagamento dos serviços. ‘‘Ele respondeu que não tinha recibo no momento, mas que poderia assinar um recibo que eu apresentasse’’, contou. Além da pessoa que entrou na casa, haviam outros dois que ficaram do lado de fora do prédio. Desconfiada do golpe, a vítima anotou a placa do carro em que estava o falso funcionário.
A gerência da Sanepar em Curitiba informou ontem que seus funcionários só prestam serviços dentro das casas quando são solicitados pelo proprietário. Nestes casos, a cobrança é feita em fatura mensal e não pelo funcionário da empresa.
Esta foi a primeira denúncia de golpe de falso funcionário da Sanepar em Curitiba neste ano. A Belina prata, ano 1981, placa AGU-4727, de Colombo, que estava com o falso funcionário da Sanepar na terça-feira pertence ao prestador de serviços Valter Arantes. Ele disse ontem à Folha que o carro estava com seu sócio, Osmar (não soube dizer o sobrenome), naquele dia. ‘‘Ele é meu sócio há oito anos e eu não acredito que tenha feito uma coisa dessas’’, afirmou.
Arantes e Osmar são donos de uma empresa que presta serviços em redes de eletricidade domiciliar e alta tensão. ‘‘Essa pessoa pode ter anotado a placa errada’’, disse Osmar. Além das placas, a descrição feita pela vítima do veículo é a mesma do carro de Arantes. Ele garantiu que sua empresa só presta serviços quando é solicitada pelo contratante e nunca procura os clientes. ‘‘Quando somos contratados, avisamos que serão cobrados R$ 20,00 pelo orçamento e não telefonamos antes para nossos clientes perguntando se eles querem o serviço’’. Arantes garantiu que vai prestar depoimento à polícia caso seja intimado e já contratou um advogado para defendê-lo da denúncia.
O superintendente da Delegacia de Estelionato de Curitiba, delegado Elias Pereira Soares, disse que se for apresentada uma representação criminal pela Sanepar ele vai intimar os suspeitos e as vítimas.

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