Sanepar ainda não sabe o que fazer com macuquinho-da-várzea
Especial para a Folha
O pedido de informações encaminhado ao Estado há um mês, pelo Fórum Pró-Conservação da Natureza no Paraná, sobre a operação de defesa do macuquinho-da-várzea, ainda não foi respondido. A entidade envolve cinco ONGs ambientais do Estado.
Ontem, a chefe da Coordenadoria dos Programas de Governo, Iara Eisenback, que esteve reunida com representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Sanepar, não quis discutir o assunto, e disse apenas que uma equipe técnica do Estado ainda está processando informações sobre os resultados do acordo com o Banco Mundial.
Segundo a ambientalista Teresa Urban, coordenadora do serviço de informações do Fórum, a descoberta do macuquinho comprova a falta de levantamentos adequados da fauna no local, exigidos por lei.
Descoberto há seis meses na área de inundação da barragem do Iraí, na Região Metropolitana de Curitiba, o macuquinho-da-várzea ainda não tem destino certo. Milhares de mensagens foram enviadas de todo o mundo ao Banco Mundial, que exigiu do governo do Estado providências para a conservação da espécie, mas até hoje nenhuma medida foi anunciada para garantir a sua preservação. A discussão sobre o futuro do macuquinho levantou dúvidas sobre os métodos de proteção ambiental para garantir a qualidade da água da barragem.
A discussão sobre o destino do macuquinho levantou dúvidas sobre a própria obra da barragem, que segundo os ambientalistas estaria desobedecendo questões básicas para garantir a qualidade da água oferecida, como a instalação de saneamento básico em todas as vilas ao redor da barragem, controle efetivo da coleta de lixo e das crescentes atividades agrícolas e industriais na região. Não se pode fazer uma interferência tão cara sem verificar o que está em volta, afirma Teresa Urban. Ela disse que, se essas medidas não forem tomadas, a barragem poderá ser inutilizada num prazo muito curto, além de correr o risco de virar foco de infecções.
Segundo a Sanepar, todas as medidas para garantir a preservação ambiental da área da barragem, bem como a qualidade da água oferecida, farão parte do cronograma de obras elaborado a partir do acordo com o Banco Mundial.Arquivo FolhaO macuquinho-da-várzea foi descoberto há 6 meses na barragem do IraíPaulo Grein





