A Empresa de Saneamento do Paraná (Sanepar) em Londrina já foi multada em R$ 1,160 milhão, desde janeiro de 2001, pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). A empresa, que sempre recorreu das multas, foi acionada mais de 20 vezes por esses dois órgãos de defesa do meio ambiente por causa de rompimentos na rede e lançamentos de esgoto e outros poluentes em mananciais de água da cidade.
O IAP formalizou três autuações com multas contra a Sanepar nos três últimos anos. Em dezembro de 2001, houve rompimento da rede que poluiu o ribeirão Quati, na zona norte. A multa de R$ 80 mil foi triplicada porque a empresa era reincidente. Em novembro de 2002, houve nova autuação do IAP por causa de um lançamento de esgoto no Ribeirão Cambezinho (zona oeste) provocado pelo rompimento da rede coletora. Mais uma vez a multa de R$ 80 mil foi triplicada. Em março deste ano, outra autuação por despejo de esgoto no Córrego Baroré, na altura do Lago Igapó 4 (zona oeste). Novamente, a Sanepar teve a multa de R$ 80 mil triplicada.
Os problemas ao meio ambiente provocados pelas tubulações da Sanepar também deram trabalho para a Sema. Segundo o assessor João Batista de Souza, em 2001 foram 10 notificações. Algumas delas, porém, foram canceladas porque os laudos não conseguiram apurar a extensão do dano. As multas somaram R$ 320 mil. No ano passado, a Sanepar foi autuada outras três vezes.
O município, porém, fez um acordo com a empresa e os R$ 165 mil em multas seriam distribuídos da seguinte forma: R$ 55 mil (já pagos) seriam investidos na recuperação de nascentes e o restante seria usado na recuperação do Parque Arthur Thomas (zona sul). Neste ano, a Sanepar já foi notificada três vezes e sofreu duas autuações, incluindo o vazamento de esgoto no Córrego Baroré (Lago Igapó 4) e o derramamento de sulfato ferroso no Córrego Água Fresca este último deve ter multa pesada porque houve mortandade de peixes.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, afirmou que a empresa está sendo negligente. ''A Sanepar tem todo o direito à defesa mas não pode continuar tão negligente como está.'' Ele não concorda que as autuações não surtam o efeito desejado. ''As multas não têm pouco efeito prático porque vão progredindo'', disse, garantindo que o órgão não aceita as defesas com facilidade. Ele afirmou ainda que a política do IAP e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente é de que a empresa que polui tem que recuperar o dano causado.
A série de autuações envolvendo a Sanepar está sendo observada de perto pelo promotor de Defesa do Meio Ambiente, Cláudio Esteves. ''Estou exigindo definições (da empresa) que possam minimizar os vazamentos'', revelou. A empresa deve dar uma posição nas próximas semanas. Ele também pretende apurar se as dimensões da rede são suficientes para atender a população. ''Estes estravazamentos podem indicar que a rede não é suficiente. Ou seja, o problema poderia ser muito mais sério'', finalizou.

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