Sanepar aceita gestão compartilhada
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Lúcio Flávio Moura e Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Uma reunião no início da noite de ontem entre o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, e o presidente da Sanepar, Stênio Jacob, viabilizou a renovação do contrato de exploração do serviço de água e esgoto entre a estatal e o Município.
A novidade é que a Sanepar aceitou a proposta da administração municipal de gerenciar, via CMTU, a atuação da empresa em Londrina. O contrato emergencial acaba dia 10 e a renovação será de 15 anos, renováveis por mais 15.
O convênio um modelo pioneiro no Estado irá significar o compartilhamento em decisões referentes à pontos básicos da operação: custo-sistema, plano diretor de saneamento básico, obras, gestão de projetos e planos de investimentos.
Outra inovação é que a Sanepar ficará responsável pela destinação dos resíduos sólidos e irá ficar responsável pela operação do atual e do futuro aterro sanitário. ''A reunião foi extremamente positiva em relação ao que o município pleiteava da Sanepar, com a vantagem da inclusão dos resíduos sólidos na gestão compartilhada'', comentou o presidente da CMTU, Wilson Sella
O presidente da Sanepar, Stênio Jacob, também ficou satisfeito com a escolha do novo modelo. ''A Sanepar tem obrigação em trabalhar na mais perfeita sintonia com as prefeituras. Isto vale para todos os municípios, inclusive para os que tem contrato vigente'', disse.
Além do acordo, foi anunciado ontem a liberação de R$ 5,7 milhões para investimentos em saneamento básico no Município. Os recursos são da Caixa, retirados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
A gestão compartilhada também pode alterar a destinação do último pacote de investimentos anunciados pela Sanepar, no valor total de R$ 36 milhões (FGTS e recursos próprios). Destes, R$ 7 milhões estão contratados, outros R$ 18 milhões em processo de licitação e outros R$ 11 milhões programados.
Segundo o prefeito, as metas de universalização de água e esgoto nesse período passam a ser de ''100%'', sendo que o Município terá o poder de definir locais prioritários para ampliação dos serviços. O presidente da CMTU, que também está à frente do Comitê, comentou que, atualmente, os planos de investimentos da Sanepar são feitos em Curitiba e não satisfazem as necessidades de Londrina.
Na avaliação do prefeito, as mudanças mais significativas impostas no acordo são a definição do plano de investimentos da empresa pelo Município e a segregação das tarifas de Londrina em relação às outras cidades onde a Sanepar atua.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), se declarou satisfeito com as propostas, frisando que o gerenciamento municipal do sistema de água e esgoto deve preparar o caminho para a municipalização total dos serviços. ''Ficamos 30 anos como reféns de um sistema implantado pela Sanepar e agora temos, pela primeira vez, a chance de discutir. Os vereadores irão analisar o projeto e, eventualmente, propor modificações'', ressaltou.


