Saneamento mobiliza cidades
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de julho de 2001
Rosana Félix De Curitiba 
A Frente Estadual pelo Saneamento Ambiental (Fesa) está intensificando a atuação para tentar barrar o projeto de lei do governo federal que transfere a titulariedade dos serviços de saneamento básico dos municípios aos Estados. As entidades que compõem a Frente estão coletando assinaturas para um abaixo-assinado e realizando encontros semanalmente.
Em alguns municípios, como Antonina, no Litoral do Estado, e Sarandi (região de Maringá), a Fesa está veiculando propagandas em rádios para mobilizar a opinião pública. A entidade quer que a população pressione os deputados federais a votarem contra o projeto de lei, de nº 4147, que está em trâmite no Congresso Federal.
Para a Fesa, o projeto é inconstitucional porque fere a autonomia dos municípios. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) no Paraná, Paulo Roberto Broska, grande parte dos prefeitos nem tem conhecimento do conteúdo do projeto. E quando sabem, ficam indignados, porque não aceitam perder a titulariedade, afirmou. O Paraná é um dos Estados que mais está atrasado na discussão, opinou o diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, Leopoldo Deconto.
A Fesa está organizando uma reunião com 50 prefeitos, representando todas as regiões do Estado, para o dia 26 de julho. Segundo Broska, no dia 3 de agosto deve ser feito uma grande manifestação reunindo deputados estaduais, federais e prefeitos, no plenário da Assembléia Estadual.
O projeto de lei, de acordo com a Fesa, também facilita a privatização do setor, porque unifica os serviços em torno do Estado. Entendemos que a água, como bem essencial, e diretamente ligada à saúde das pessoas, não pode ser privatizada, afirmou o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Paraná, César Vieira. Para ele, a privatização dos serviços de saneamento também prejuducaria o atendimento nas comunidades mais carentes.
A Fesa começou a se reunir no início do mês, na sede da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), em Curitiba. Entre as entidades que participam do movimento estão o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), além do Sindicato dos Urbanitários do Paraná, AMP, Assemae e Sindicato dos Engenheiros.


