Das 92.119 ligações recebidas pelo Samu de Londrina em 2012, 9.865 foram trotes, o que equivale a 11% do total de telefonemas. Em 2011, o Samu registrou 82.225 ligações, das quais 10.475 foram trotes (12%). O número é muito alto e causa problemas no atendimento das ambulâncias. "A população está prejudicando um serviço que atende a ela mesma. Toda ligação mentirosa traz consequências terríveis para o sistema", ressalta o diretor do setor de Emergências e Urgências da Secretaria Municipal de Saúde, Sérgio Canavese.
Os números mostram que os trotes aumentam no período letivo, sobretudo nos horários de saída dos alunos pela manhã e à tarde. "O trote infantil é fácil de ser identificado e de forma rápida já descartamos a ligação", explicou Canavese. Em fevereiro houve o maior índice de trotes: 15%. Das 5.339 ligações, 822 foram falsas. O mês de junho, tradicionalmente de férias escolares, foi o que apresentou menos trotes: 6%. Foram 7353 telefonemas e 441 trotes.
A estatística dos trotes não inclui ligações para orientações, por engano, transferências de chamadas e busca por outras informações.
Canavese ressalta a dificuldade de identificar o trote quando ele é feito por um adulto que elabora toda uma estratégia para enganar os atendentes. "Até mesmo os técnicos e os médicos não conseguem identificar o trote. Já tivemos caso de enviar uma ambulância para atender um chamado de atropelamento e na verdade era uma malhação do Judas", conta o diretor.

Triagem rigorosa
No 190, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), as crianças são as responsáveis pela maioria das ligações também. "Como o nosso número de linhas livres é limitado, estes trotes podem fazer com que deixemos de atender uma urgência", explica o sargento Clodoaldo Pereira da Silva.
O capitão Rodrigo Nakamura, do Corpo de Bombeiros, informou que durante o período escolar o número de trotes também aumenta no 193, já que as crianças utilizam telefones públicos para fazer as ligações. Os atendentes realizam uma triagem rigorosa das ligações e isso auxilia na detecção de ligações falsas.
"Fazemos uma série de perguntas e quando a ligação vem de orelhão o nosso sistema informa em que região da cidade está. Muitas vezes a pessoa fala de um endereço que não tem nada a ver com a posição em que ela está", frisa Nakamura.
Este trabalho de triagem tem diminuído o número de deslocamentos desnecessários. "Não me lembro da última vez que enviamos a ambulância para um atendimento que na verdade não existia. O que acontece muito é de recebermos a informação de um caso grave e, na realidade, a situação é leve e não há a necessidade do deslocamento da ambulância. Com isso perdemos tempo e podemos atrapalhar um atendimento realmente grave", acrescenta. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar não possuem dados do números de ligações recebidas em 2012 nem do total de trotes. (Colaborou Fernanda Carreira)

Imagem ilustrativa da imagem Samu recebeu 9,8 mil trotes em 2012



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