Samu recebeu 9,8 mil trotes em 2012
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Das 92.119 ligações recebidas pelo Samu de Londrina em 2012, 9.865 foram trotes, o que equivale a 11% do total de telefonemas. Em 2011, o Samu registrou 82.225 ligações, das quais 10.475 foram trotes (12%). O número é muito alto e causa problemas no atendimento das ambulâncias. "A população está prejudicando um serviço que atende a ela mesma. Toda ligação mentirosa traz consequências terríveis para o sistema", ressalta o diretor do setor de Emergências e Urgências da Secretaria Municipal de Saúde, Sérgio Canavese.
Os números mostram que os trotes aumentam no período letivo, sobretudo nos horários de saída dos alunos pela manhã e à tarde. "O trote infantil é fácil de ser identificado e de forma rápida já descartamos a ligação", explicou Canavese. Em fevereiro houve o maior índice de trotes: 15%. Das 5.339 ligações, 822 foram falsas. O mês de junho, tradicionalmente de férias escolares, foi o que apresentou menos trotes: 6%. Foram 7353 telefonemas e 441 trotes.
A estatística dos trotes não inclui ligações para orientações, por engano, transferências de chamadas e busca por outras informações.
Canavese ressalta a dificuldade de identificar o trote quando ele é feito por um adulto que elabora toda uma estratégia para enganar os atendentes. "Até mesmo os técnicos e os médicos não conseguem identificar o trote. Já tivemos caso de enviar uma ambulância para atender um chamado de atropelamento e na verdade era uma malhação do Judas", conta o diretor.
Triagem rigorosa
No 190, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), as crianças são as responsáveis pela maioria das ligações também. "Como o nosso número de linhas livres é limitado, estes trotes podem fazer com que deixemos de atender uma urgência", explica o sargento Clodoaldo Pereira da Silva.
O capitão Rodrigo Nakamura, do Corpo de Bombeiros, informou que durante o período escolar o número de trotes também aumenta no 193, já que as crianças utilizam telefones públicos para fazer as ligações. Os atendentes realizam uma triagem rigorosa das ligações e isso auxilia na detecção de ligações falsas.
"Fazemos uma série de perguntas e quando a ligação vem de orelhão o nosso sistema informa em que região da cidade está. Muitas vezes a pessoa fala de um endereço que não tem nada a ver com a posição em que ela está", frisa Nakamura.
Este trabalho de triagem tem diminuído o número de deslocamentos desnecessários. "Não me lembro da última vez que enviamos a ambulância para um atendimento que na verdade não existia. O que acontece muito é de recebermos a informação de um caso grave e, na realidade, a situação é leve e não há a necessidade do deslocamento da ambulância. Com isso perdemos tempo e podemos atrapalhar um atendimento realmente grave", acrescenta. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar não possuem dados do números de ligações recebidas em 2012 nem do total de trotes. (Colaborou Fernanda Carreira)

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