Samu entra em greve mas mantém atendimento
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sábado, 25 de outubro de 2008
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Como prometido, os funcionários terceirizados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Londrina iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado, mas, pela manhã, o atendimento continuava sendo realizado com todas as ambulâncias. Segundo Júlio Aranda, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviços de Saúde de Londrina (Sinsaúde), funcionários do Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap) mantiveram o atendimento com duas ambulâncias avançadas, três de transporte e uma de atendimento básico. A Polícia Militar chegou a ser chamada para liberar uma viatura que atua em Ibiporã, e que estaria no pátio da sede do Samu por falta de funcionários.
As outras ambulâncias não assumidas pelos grevistas, transferidas para a sede do Siate, no quartel do Corpo de Bombeiros da Rua Tietê, foram às ruas com funcionários que não aderiram à greve, com uma equipe de profissionais contratados pelo município (50, do total de 158) e com servidores de outros serviços municipais de saúde. Esses servidores não têm o treinamento necessário para atender as ocorrências do Samu, como traumas, paradas cardiorrespiratórias e hemorragias, criticou Aranda.
Segundo a secretária de Saúde, Marlene Zucoli, esses profissionais têm o preparo necessário sim. Muitos já faziam plantões no Samu, e estão habituados a fazer atendimentos de urgência e emergência, garantiu, acrescentando que a transferência desses funcionários também não compromete o atendimento em seu local de origem.
Os trabalhadores terceirizados reivindicam a negociação de um acordo coletivo de trabalho. Nesse acordo vamos negociar carga horária e todos os direitos trabalhistas, além de um salário compatível com os demais municípios do Brasil. Sem esse acordo, está tudo errado, declarou Aranda, acrescentando que a prefeitura havia prometido essa negociação há dois anos, após uma paralisação.
O presidente do Sinsaúde queixou-se da falta de diálogo com a Secretaria de Saúde, que até agora não procurou o sindicato para discutir o assunto. Mas Marlene descartou qualquer possibilidade de negociação com os grevistas, reiterando que a responsabilidade sobre o problema não é da prefeitura, mas da empresa que contratou os funcionários. Não posso aumentar o valor à revelia. Se dentro do valor contratado a empresa não puder executar o serviço, teremos que notificá-la e se for o caso até suspender o contrato e realizar outra licitação, sugeriu. O contrato da Ciap com a prefeitura foi firmado em novembro de 2007, tem validade de dois anos e prevê um repasse de R$ 416 mil mensais. A Ciap tem 108 funcionários prestando serviços ao Samu.
O tenente-coronel Jorge Luiz Pereira, comandante do 3º Grupamento de Bombeiros, também colocou a corporação à disposição para garantir o atendimento à população. Na eventual necessidade, os bombeiros podem assumir a demanda com o Siate e até mesmo com o Samu, para que a população não seja prejudicada, propôs.


