Após um ano de implantação, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda não está informatizado, ganhou sede própria há apenas um mês e meio e convive diariamente com problemas relacionados à desinformação da população. Há duas semanas, uma das seis linhas telefônicas disponíveis não funciona. Aproximadamente metade dos atendimentos, segundo estimativa de um dos médicos reguladores, são trotes ou dispensariam o deslocamento de equipe até o local.
Diariamente há casos de alcoolismo e de falsas crises como o já conhecido vendedor de amendoim que simula um desmaio, atrai para perto de si um grupo de pessoas e quando o socorro chega nada há a fazer. Aproveitando a aglomeração, ele passa a vender o seu produto. Só ontem foram feitos dois deslocamentos do Samu para atender o falso doente, que já ''passou mal'' em várias regiões da cidade.
A estrutura sediada em Londrina conta com oito ambulâncias sendo duas de suporte avançado (UTI móvel) e seis de suporte básico e três carros de transporte, que são as antigas ambulâncias do Transporte Emergencial Centralizado (TEC). Duas das unidades de suporte básico atendem Cambé e Ibiporã. No prédio recém-construído na Rua Dib Libos (Vila Sian, Zona Leste), trabalham quatro atendentes, de dois a três médicos, dois enfermeiros e um rádio-operador. De madrugada, apenas o número de atendentes é reduzido, caindo para dois ou três.
A coordenadora de enfermagem, Kelen Mitie Wakassugui, informa que a demora no atendimento uma das queixas da população depende do volume de ocorrências no momento do chamado e da qualidade das informações fornecidas. Ela alerta que o serviço poderia ser muito mais ágil se as pessoas passassem mais e melhores informações aos atendentes. ''Quando as informações recebidas são imprecisas, temos que enviar uma ambulância até o local. Muitas vezes, ao chegar lá a equipe vê que o caso não é de emergência, podendo comprometer outros atendimentos. As pessoas precisam ter consciência que podem salvar vidas evitando chamar o Samu desnecessariamente'', diz Kelen.
Outro esclarecimento feito pela enfermeira é que as perguntas feitas pela equipe de atendimento devem ser respondidas. ''Tem gente que, por causa do nervosismo, não quer ficar respondendo às perguntas e exige a presença da ambulância. Mas a informação neste momento é muito importante. Em alguns casos, enquanto o médico dá as orientações do que pode ser feito em um primeiro momento, a ambulância já é deslocada para o local.''
A coordenadora acha que parte da resistência da população vem do fato de ainda estar acostumada a simplesmente chamar a ambulância, sem saber da real necessidade e sem precisar dar informações. Ela recomenda que, ao ligar para o 192, a pessoa esteja ao lado da vítima. ''Muitos estão passando por um lugar, vêem alguém passando mal e ligam, sem parar para ver o que realmente está acontecendo.''


COMO CHAMAR

O que pode agilizar o atendimento:

- Ao ligar para o 192, esteja ao lado da vítima para passar ao atendente ou ao médico regulador todas as informações sobre o seu estado de saúde;
- Procure saber o nome e idade da vítima;
- Só acione o serviço em casos de emergência;
- Não esconda informações e nem minta para conseguir socorro mais rápido; uma outra vida pode estar em risco;
- Responda com calma às perguntas que forem feitas; elas são importantes para a triagem do caso;

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