De cima não dá para ver as mazelas, ape nas a bela paisagem das luzes na noite es cura. Mas o coração da paulista reconhece Londrina, e sabe, aliviado, que está voltando para casa. Casa que foi nascendo aos poucos, com o passar dos anos, com o amor crescendo por esta terra vermelha, com o companheiro conhecido aqui, com os amigos que fez, e quem sabe com os filhos (serão londrinenses?...)

Do avião ela avista a pista do aeroporto em reforma; a torre antiga que deverá ser demolida em nome do progresso; torre que viu Londrina crescer e que poderia ser o símbolo desse mesmo progresso, mas enfim...

Lembra da preocupação em aterrisar na cidade que ainda não tem o ILS (Instrument Landing System), equipamento que auxilia nos pousos e decolagens de aviões. Se estivesse chovendo, como em São Paulo, de onde saiu, não conseguiria chegar. O tempo estava bom. Ainda bem, porque só depois de 2003 é que ela e toda população deverá contar com a tecnologia do instrumento no aeroporto. A pendência se arrasta há anos por causa de impasses nas desapropriações das áreas próximas.

A paulista sabe que vai chegar e ler nos jornais as notícias do final de semana assassinatos, violência, acidentes de trânsito. De cima ela não consegue avistar, mas não se esquece das mazelas da cidade e dos problemas não resolvidos, hospitais superlotados, a rua que foi fechada para os camelôs... Lembra que não vai poder apreciar a vista do lago Igapó, hoje pura lama e sujeira, para aliviar a alma.

Mas tem esperança, e batalha. Chegou a virar ''pé-vermelho'', movida pela força do povo contra a corrupção na política local. E se fosse poeta, faria, assim como Tom Jobim, um ''samba do avião'' e a paródia poderia ser: ''Minha alma canta; vejo a terra vermelha; estou morrendo de saudade. Este samba é só porque, Londrina, eu gosto de você...''. E o comandante anuncia: apertem os cintos, vamos aterrisar...

mockup