Quando o analista de exportação Raphael Bueno Dalto, 28 anos, fez um cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), em 2001, não contava com a possibilidade de se tornar doador compatível. Quase dez anos depois, em outubro passado, ele foi procurado pelo serviço e teve de tomar a decisão que pode ter salvado uma vida.
Ao optar por se submeter ao procedimento de retirada da própria medula para doar a um paciente desconhecido, Raphael escolheu, também, oferecer a alguém a possibilidade de continuar vivendo. E, depois de passar pela intervenção, no início de dezembro, garante que o processo foi muito simples diante da grandeza do ato.
''Me inscrevi no Redome durante uma campanha de doação de sangue no campus da UEL (Universidade Estadual de Londrina) quando ainda estava estudando, mas não imaginava que seria consultado'', contou. A primeira prova da eficiência do cadastro veio em 2007, quando foi procurado por profissionais do Redome para fazer os primeiros de testes para uma possível doação.
Provavelmente por falta de condições do paciente, entretanto, a retirada da médula não aconteceu. Três anos depois, ele foi novamente procurado e, desta vez, teve de decidir se levaria o processo até o fim. ''Fiquei assustado porque nunca tinha tomado anestesia, mas, em nenhum momento, pensei em não ir. Levei em conta a expectativa da pessoa que estava esperando o transplante. Sabia que ela não tinha outras alternativas'', relatou.
Acertada a realização do procedimento, todo o processo foi rápido e simples. Como em Londrina ainda não é feita a retirada de medula, ele seria inicialmente enviado a Curitiba. Por falta de vagas, acabou tendo de viajar duas vezes a Porto Alegre, onde foi feita a intervenção. Todos as despesas foram custeadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Na primeira viagem, em 30 de novembro, ele ficou apenas um dia na capital gaúcha para realização de exames pré-cirúrgicos. Na ocasião, conheceu o médico que faria a retirada da medula e agendou o procedimento para o dia 14 de dezembro. ''Cheguei em Porto Alegre num domingo e, na quinta-feira seguinte, já estava em Londrina trabalhando.''
Submetido a uma anestesia raquidiana, ele revelou que o único incômodo foram os efeitos colaterais da própria anestesia, como dor de cabeça e o formigamento que antecede a volta dos movimentos. ''Minha maior dificuldade foi retornar para Londrina, porque não conseguiram um voo e tive que vir de ônibus'', brincou.
Informado por membros da equipe médica que o receptor da médula seria uma criança gaúcha do sexo feminino, ele espera a passagem dos seis meses após a cirurgia para entrar em contato com o Redome e pedir a mediação de um encontro, que pode ocorrer depois de um ano. ''Se as duas partes quiserem, é possível haver contato. Tenho curiosidade de saber se, após o transplante, esta pessoa está bem.''

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