O biólogo Sérgio Morato, da Copel, um dos coordenadores da operação em Salto Caxias, relata que a ‘‘fase mais aguda’’ ocorrerá nos primeiros dias, pelo grande impacto inicial sobre o meio ambiente. Morato estima que sejam encontrados basicamente animais de pequeno porte.
Segundo o biólogo, o período escolhido para o enchimento de Caxias atende a função reprodutiva dos animais, que poderiam ser atingidos pela elevação das águas. Para a operação de salvamento, a Copel organizou uma equipe de 50 biólogos, veterinários, barqueiros e auxiliares.
Muitos dos animais que forem resgatados serão levados para zoológicos e para a Estação Ecológica do Rio Guarani - uma área cujas florestas estão inteiramente preservadas - adquirida pela Copel, no município de Três Barras do Paraná, que fica nas imediações de Salto Caxias. Na estação sobrevive, por exemplo, a cobra muçurana, com até 2 metros de comprimento. A muçurana está em extinção em outras áreas porque seu meio é a floresta, cada vez mais reduzida.
A transferência de animais salvos de reservatórios para zoológicos, reservas ou mesmo áreas remanescentes (não alagadas) é complexa porque os bichos que já habitam estes locais têm seus próprios nichos e os novos grupos podem não ter espaços. A bióloga Beloni Martere diz que quando se faz estudo para construir uma hidrelétrica ao mesmo tempo já se deve pensar nos bichos. E quando é inevitável destruir seu habitat, é preciso compor unidades de conservação com características semelhantes para a transferência.
As populações vizinhas foram alertadas para o risco de aparecimento de cobras em fuga durante o alagamento. Postos de Saúde já receberam soro antiofídico para atendimento a quem for picado. (P.P.)

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