Cento e cinquenta mil pessoas morrem no Brasil anualmente vítimas de paradas cardiorrespiratórias súbitas. Estima-se que pelo menos a metade pudesse sobreviver se fosse socorrida adequadamente nos primeiros minutos. Garantir esse atendimento pelo menos na Câmara de Vereadores de Londrina foi o objetivo de um curso ministrado a funcionários e vereadores ontem.
Com baixa adesão dos edis apenas três estiveram presentes: Tercílio Turini (PSDB), Marcelo Belinati (PSL) e Orlando Bonilha (PL) e só o último participou já que os demais são médicos o curso ensinou a funcionários de vários setores como identificar os problemas e dar os primeiros socorros, incluindo o uso do desfibrilador. O equipamento é usado para reverter a fibrilação do miocárdio, um movimento que impede o bombeamento normal do coração. O curso abordou os infartos, derrames, obstruções áreas (engasgamentos) e paradas cardiorrespiratórias.
''A cada minuto que se passa sem atendimento, as chances de sobreviência caem 10%, por isso é fundamental treinar a população para reconhecer o problema e dar assistência até a chegada do Samu (Sistema Atendimento Móvel de Urgência)'', diz o cardiologista Manoel Canesin, que defende a ampliação do treinamento entre a população leiga. ''Nos Estados Unidos de 1% a 5% da população foi treinada, o que traz enormes resultados'', argumenta.
O curso já foi ministrado anteriormente após a aprovação da lei 8.845 de 2002. Pela lei (a primeira do país com essa iniciativa), locais com grande aglomeração de pessoas são obrigadas a manter um desfibrilador e uma equipe treinada a usá-lo. Atualmente só a Câmara e o Aeroporto mantém o equipamento.
Segundo um dos autores da lei, o vereador Tercílio Turini (PSDB), a Câmara está negociando junto a Secretaria de Saúde e a Comissão de Ressuscitação do Hospital Universitário (HU), da qual Canesin é presidente, modificações no lei para facilitar seu cumprimento. Uma delas é possibilitar que estabelecimentos como ginásios de esportes e congêneres tenham o desfibrilador disponível apenas durante os eventos, sem a necessidade da aquisição.
O vereador afirma que espera que após as mudanças, o poder público passe a exigir as regulamentações da lei. ''Pelo menos é isso que me assinalou o secretário'', diz.

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