''Embora trabalhe com crianças de 10, 12 anos, percebo que as salas de aula são verdadeiros barris de pólvora.'' A frase, dita por uma professora que trabalha pelo Programa de Seleção Simplificada (PSS) em uma escola da Zona Oeste, ilustra bem a situação enfrentada por educadores em boa parte das instituições de ensino. Para a educadora, que prefere não se identificar, é preocupante que crianças em situação de risco, alheias a valores básicos de convivência social e cidadania, convivam com outras que já têm construídas determinadas estruturas de valores.
''Eu comecei dando aulas há dois anos para jovens de 18 a 29 anos. Havia o problema de tráfico de drogas, comum a muitas escolas, mas nada como o que estou vivendo agora, trabalhando com crianças. Eu pensava que a situação fosse complicada, mas nem tanto'', desabafa a professora. Para ela, as escolas deveriam ter estrutura de apoio ao professor, com psicopedagogo e assistente social.
A educadora denuncia que não há um sistema regulador que apoie a escola no sentido de fazer um trabalho eficiente com as crianças que não reconhecem as estruturas de coerção social. Na escola pública, continua, o problema se agrava pela falta de estrutura. ''A violência é uma só para toda a sociedade, mas a maneira de lidar com isso, na rede privada, é diferente. Em situações de conflito, por exemplo, há sempre alguém para auxiliar o professor'', compara. (S.L.)

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