Curitiba - O delegado geral da Polícia Civil do Paraná, Leonyl Ribeiro, disse levará as reivindicações dos delegados, contidas na Carta do Paraná, divulgada anteontem pela associação e sindicato da categoria (Adepol e Sidepol), ao secretário de Segurança Pública, José Tavares, e ao governador do Estado, Jaime Lerner (PFL). No entanto, o delegado geral disse que discorda que a Polícia Civil do Paraná tenha o pior salário do País. ''Isso é muito relativo. Se você ganha R$ 500,00 em Tamarana é um bom salário, já em Curitiba você passa fome'', argumenta.
De acordo com o delegado geral, o salário base dos policiais civis é de R$ 728,00 mais R$ 100,00 de gratificação. Para quem cuida de preso há um adicional de 130%. Um delegado de polícia recebe R$ 6 mil. ''Não são os piores salários. Estão na média nacional'', garante. Leonyl Ribeiro concorda que os delegados devam lutar para melhorar suas condições de trabalho, inclusive sobre o aumento no efetivo. Mas ele argumenta que é preciso avaliar se há compensação pelo efetivo da Polícia Militar no Estado.
Sobre a unificação, Ribeiro disse que se trata de um processo a médio e longo prazo que está apenas começando. Ele concorda que as entidades que representam os delegados devam participar dos trabalhos de implantação do projeto. Ribeiro avalia que o relacionamento entre as corporações já melhorou muito e, mesmo envolvendo no total cerca de 20 mil policiais, os conflitos têm sido em pequeno número. ''O que acontece é que muitas vezes a Polícia Civil acaba fazendo o policiamento preventivo, que não seria sua função, assim como a Polícia Militar acaba investigando e prendendo. Mas isso não é problema, uma polícia tem que complementar o trabalho da outra'', diz.
O delegado geral da Polícia Civil diz que muitas das reivindicações dos delegados já começaram a ser cumpridas pelo atual governo. ''Nunca foi feito tanto quanto agora'', garante. Ele acredita que o governador tentará colocar em prática o que for possível neste final de mandato. ''Temos restrições por parte da Lei Eleitoral, da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas o que a lei permitir e havendo recurso para isso será atendido'', promete.
As mudanças no estatuto, outro pedido da categoria, são naturais no decorrer do tempo, segundo Ribeiro. Desde o primeiro estatuto, de 1973, houve 19 leis complementares alterando seu conteúdo. A última alteração foi feita sob o calor da CPI do Narcotráfico e pedia mais transparência na Polícia Civil. Uma das mudanças que descontentou os delegados foi a redução de 19 para 9 integrantes, além da participação de dois membros de fora da corporação.
Sobre a atuação de policiais civis, e não de PMs, nas investigações do Ministério Público, o delegado geral disse que está havendo o trabalho de integrantes das duas polícias. O delegado só se mostrou contrário a volta do Departamento Penitenciário (Depen) à Secretaria da Justiça. ''Não há desvio de recursos do Plano Nacional de Segurança para outras finalidades, pois já vem tudo com destinação certa. Além do mais, fica muito mais fácil para nós transferirmos presos dos distritos para as penitenciárias estando tudo na secretaria da Segurança Pública'', defendeu.
No final do dia, a Secretaria de Segurança distribuiu nota oficial contestando o teor da carta dos delegados de polícia. Os argumentos são os mesmos utilizados pelo delegado geral. (Colaborou Leandro Donatti)

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