Luciana Pombo
De Curitiba
Funcionários da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de Curitiba fizeram ontem uma manifestação em frente a sede adminsitrativa da entidade, no bairro do Batel. Eles alegam que estão com os salários do mês de novembro e com o 13º atrasados. No entanto, a atual presidência da entidade acredita que possa mudar esse cenário.
‘‘Somos 300 funcionários insatisfeitos com esta situação. Não conseguimos pagar nossas contas, tanto que algumas pessoas não têm vale transporte para vir trabalhar’’, disse Salete de Cássia, de 36 anos, professora há sete anos.O problema salarial dos funcionários da Apae começou há cerca de um ano e meio, quando os pagamentos foram parcelados. ‘‘Faz todo este tempo que estamos sem vale transporte e sem salário. Não tem quem consiga trabalhar deste jeito’’, afirmou Maria de Lourdes Soares Moraes, 45 anos, mãe de uma portadora de deficiência de 26 anos e atendente de uma escola da Apae.
Para tentar reverter o problema de déficit salarial que, segundo os funcionários e a Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Fenapes), começou após a gestão da vereadora Jane Rodrigues (PPB), alguns pais de alunos resolveram promover um abaixo-assinado pedindo a imediata intervenção do Ministério Público. ‘‘As denúncias precisam ser levadas a sério e o Ministério Público tem que tomar alguma providência para organizar o caixa da Apae’’, disse revoltada Mirela Coelho Lorenzon, de 30 anos, mãe de um aluno de 6 anos. Ela defende que um pai de aluno seja aclamado como presidente da instituição. ‘‘Não queremos mais brigas políticas entre a Apae e a Fenapes. Nossa preocupação é com a entidade e com as 750 crianças atendidas’’, argumentou.
No último dia 30, houve uma eleição do conselho da Apae que escolheu o fundador da entidade, Arno Glitz, como o novo presidente. Os funcionários não acreditam, mas ele aposta que possa mudar a atual situação deficitária da instituição e colocar os salários dos funcionários em dia. ‘‘Estamos lutando para isto, mas eles precisam parar de fazer protestos. Deste jeito eu não consigo trabalhar’’, declarou ele.
Glitz prometeu que pagará cerca de 40% do salário do mês de novembro na próxima terça-feira. Durante este mês, todos os vencimentos do mês anterior deverão ser pagos e 70% do 13º salário. ‘‘Estou fazendo o que posso, tentando conseguir recursos para colocar tudo em dia, mas não tenho prazo de quando conseguirei’’, alegou. Os funcionários prometem uma nova mobilização na segunda-feira.

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