O reitor da Universidade Estadual de Londrina, Pedro Gordan, disse ontem que irá descontar parte dos salários dos servidores do Hospital Universitário (HU), como prevê um ato executivo baixado por ele em 23 de janeiro, logo depois que o juiz da 10ª Vara Cível de Londrina, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, determinou a reabertura do HU e do Hospital de Clínicas (HC), decisão ainda está sendo analisada pelo Tribunal de Justiça (TJ). Essa situação pode ser agravada pela disposição do governador Jaime Lerner (PFL) de não fazer os repasses para a UEL enquanto durar a greve, que hoje completa hoje 161 dias.
‘‘Vamos recolher os pontos e fazer os cálculos desde a validade do ato executivo até agora’’, afirmou o reitor. Segundo ele, o HU já está com 90% de de sua capacidade normal em funcionamento. Gordan disse ainda que está analisando se os descontos poderão englobar o período já trabalhado, porque a folha é fechada todo dia 20. De acordo com o reitor, os demais servidores estão amparados por uma liminar do Tribunal Regional Federal (TRF4ª Região), que considerou legal a greve dos servidores.
A notícia revoltou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (SinSaúde), Ana Maria da Cruz. ‘‘Não vamos aceitar esse desconto, vamos recorrer em todas as instâncias’’, garantiu. Ana Maria também reclamou da medida atingir somente os servidores da saúde. ‘‘E os servidores do campus, e os docentes? O tratamento de isonomia não irá valer dessa vez?’’.
O presidente do Sindicato dos Professores da UEL (Sindiprol), César Caggiano Santos, disse ontem que o movimento não deve aceitar a proposta do juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Danilo Pereira Júnior, de que as lideranças da greve e a reitoria encaminhem em duas semanas uma proposta para a retomada das aulas para os alunos que deveriam se formar no ano passado. O assunto deve ser discutido em assembléia na próxima semana, mas segundo Caggiano, uma proposta mais ampla, com a suspensão da greve por um mês, já foi rejeitada.
‘‘O STF (Supremo Tribunal Federal) já intimou o governo a repor nossas perdas salariais, com isso ele (juiz) pode inclusive pedir a prisão do governador’’, avaliou. Caggiano se referiu a uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIM) movida contra o governo do Paraná pelo Partido Social Liberal (PSL). No final do ano passado, o STF julgou procedente o pedido para ‘‘assentar a omissão do chefe do poder executivo quanto ao projeto visando a revisão geral dos vencimentos’’.
O comando de greve e a reitoria da UEL começam amanhã um loby na Assembléia Legislativa (AL) para tentar mudar o projeto de autonomia universitária do governo. A maior crítica é para a criação do Conselho de Responsabilidade Social, composto de 11 membros, sendo nove indicados pelo Estado. Para os grevistas a proposta é uma intervenção. ‘‘Pode não ser boa para os sindicatos, mas é boa para as universidades e a socidade’’, defendeu o secretário de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig.

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