Silvana Leão
De Londrina
Membros da Polícia Civil e alguns convidados vão se reunir em assembléia, hoje, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol) para discutir condições de trabalho e reivindicações da categoria. A defasagem salarial e a falta de material humano estão entre as principais reclamações da categoria. O cenário em que vivem estes profissionais não é nada animador.
‘‘Estamos simplesmente massacrados’’, define Solange Pinheiro de Freitas, presidente do Sindipol. Segundo ela, os salários dos policiais foram reduzidos pela metade nos últimos cinco anos. ‘‘Hoje em dia não temos condições nem de assinar um jornal para ficarmos por dentro dos acontecimentos. Em reunião recente com o dr. Wanderci (Wanderci Corral Fernandes, delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina), um policial se queixou que não pode nem chegar perto de uma pessoa para conversar, pois não tem dinheiro para tratar os dentes.’’
O estado de sucateamento chegou a um ponto que, de acordo com Solange de Freitas, muitas vezes os investigadores utilizam o próprio veículo, quando precisam de viatura não caracterizada. Como se não bastasse, faltam profissionais. ‘‘O efetivo da Polícia Civil do município é o mesmo de 20 anos atrás. Há apenas 15 investigadores exercendo a função investigatória atualmente, e 39 estão em desvio de função’’, explica.
A presidente do Sindipol afirma que, comparando com a Polícia Militar, a situação dos policiais civis é ainda pior. Ela compara os números: ‘‘Enquanto o Paraná tem 20 mil PMs, conta com menos de três mil policiais civis em todo o Estado. Em Londrina, são menos de 100 exercendo funções investigativas, contra 950 PMs’’. Após as 18 horas, a cidade conta com apenas um escrivão, dois investigadores, um plantonista para registrar queixas e um delegado.
Os salários, se comparados com os da PM, também estão em nível inferior. Enquanto um soldado começa a carreira ganhando R$ 700,00, um identificador (aquele que faz carteira de identidade, entre outros documentos) tem um salário bruto de R$ 320,00. As discrepâncias também existem. Ao mesmo tempo que um investigador de quinta classe ganha R$ 650,00, o delegado titular tem um rendimento de aproximadamente R$ 7 mil.
Com tantos problemas, Solange de Freitas admite que a categoria fica mais suscetível à corrupção e aos vícios. ‘‘Já houve também vários casos de internamento por estresse.’’ Após a assembléia, o Sindipol pretende encaminhar um documento às autoridades pedindo providências. Uma das reivindicações já feitas foi o apoio da Polícia Militar na carceragem dos distritos policiais (DPs).
O delegado-chefe da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes, é cuidadoso ao falar sobre os problemas enfrentados pela Polícia Civil, mas concorda que há uma deficiência de profissionais. ‘‘Os policiais estão reclamando. Nós estamos aguardando a nomeação do pessoal concursado, para que possamos aliviar a escala dos que estão atuando.’’ Segundo o Sindipol, alguns policiais chegam a trabalhar 60 horas por semana, quando a carga horária da categoria é de 44 horas semanais.
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Noronha, informou que não há um prazo estipulado para a contratação dos 72 investigadores e 38 escrivães (designados para Londrina) que passaram em concurso há um ano e meio. ‘‘Sabemos que há um empenho do governo de Estado em conseguir a nomeação nos próximos meses, uma vez que o quadro de policiais é o mesmo de 1982 e encontra-se incompleto. Temos uma defasagem de mais de 40%’’, admitiu.Sindicato diz que categoria sobrevive com a metade do valor que ganhava há cinco anos e que efetivo é o mesmo de 20 anos atrás
Dorico da SilvaPRECARIEDADEA sindicalista Solange de Freitas: ‘‘Temos caso de policial que não pode nem tratar os dentes’’

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