Com um abraço simbólico em torno do prédio do Hospital Universitário, professores, estudantes e funcionários da instituição pretendem sensibilizar o Governo Estadual a liberar recursos aprovados no orçamento deste ano para obras de reforma e ampliação, além de uma revisão nos salários dos profissionais. A manifestação ‘‘Abrace o HU’’ está marcada para às 14 horas. Devem participar também familiares de pacientes do hospital e representantes de entidades e lideranças comunitárias de Londrina.
‘‘Estamos preocupados com a qualidade de ensino e, consequentemente, com o atendimento prestado à população’’, afirma o diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho. O hospital é referência na região e atende inclusive pacientes de outros Estados.
No começo do ano, a Assembléia Legislativa aprovou recursos da ordem de R$ 30 milhões para obras de reformas e ampliação do hospital. A aprovação das verbas foi amplamente divulgada pela Universidade, mas até agora nada foi liberado pelo Governo. A direção do HU e da Universidade de Londrina (UEL) esperam que o governo remeta parte deste dinheiro para garantir o início das obras ainda este ano. Eles temem que a não liberação de parte da verba nos próximos dias possa comprometer todo o projeto, e entendem que a reforma é fundamental para garantir atendimento satisfatório aos pacientes. O HU funciona no mesmo prédio de mais de quatro décadas.
Além do problema estrutural, causado pela necessidade urgente de reforma do prédio, o diretor do HU aponta outro grave problema, que é o baixo salário pago aos professores e funcionários. Só nos últimos 40 dias, mais de 20 docentes com mestrado e doutorado, além de 14 enfermeiros, deixaram o hospital por problemas salariais. Segundo Cláudio Camacho, um professor iniciante do curso de Medicina ganha menos de R$ 300 mensais para lecionar 20 horas-aula.
‘‘Não estamos mais conseguindo preencher nossos quadros’’, lamenta o diretor. Segundo ele, há um concurso público que já foi realizado seis vezes, sem que o hospital conseguisse encontrar candidatos interessados na vaga.
Mesmo diante de tantos problemas, o Hospital Universitário vem conseguindo manter boa qualidade de ensino. Segundo avaliação da Comissão Institucional de Avaliação das Escolas Médicas, o HU está entre as cinco melhores escolas de saúde do País. A avaliação foi feita este ano e envolveu 48 faculdades, universidades e instituições privadas de ensino superior da área de saúde do Brasil. Camacho afirma: ‘‘Estamos com receio de acabar perdendo esta condição. Temos de lutar para mantermos esta qualidade no ensino, que vai acabar refletindo no atendimento à população’’.

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