‘‘A minha sala foi desintegrada. Meus colegas foram divididos em outras salas. Não gostei’’, disse a estudante do 1º ano do segundo grau do Champagnat, Adriana Martins de Oliveira, 16 anos. Ela foi transferida para uma sala com 48 alunos. Segundo a Associação de Pais e Mestres (APM) do colégio, para permitir a reforma, sem retirar os alunos, o governo determinou a redução do número de turmas. Hoje, com 16 turmas a menos, as salas de aula estão lotadas e muitas delas têm até 50 alunos.
Adriana Oliveira reclama que a adaptação a uma nova turma no meio do ano, e a troca de professores dificultam o aproveitamento escolar. ‘‘A sala já era lotada demais, agora está difícil até de se mexer’’, afirma Paulo Alves, de 16 anos. Para colocar todas as carteiras a primeira fila de alunos fica a menos de um metro do quadro-negro. ‘‘A gente sofre também com o pó do giz’’, diz Luiz Gustavo Aristides.
‘‘Argumentam que estão sobrando vagas nas escolas da periferia. Mas é mentira. Lá também as salas de aula estão com mais de 45 alunos. É este o ensino de primeiro mundo que o Lerner prometeu?’’ - questiona a professora de inglês, Elza Francischini, que leciona há cinco anos no colégio. Para ela a postura do Estado com relação ao colégio e a educação em geral é de ‘‘descaso total’’.
Ela afirma ser impossível garantir um bom aproveitamento em salas tão lotadas. Ela reclama que o governo não está demonstrando preocupação com a segurança dos alunos e professores.
Junto com a redução de turmas veio também a redução do quadro de professores, acrescenta a professora de geografia, Zita Totteme. Ela leciona há seis anos no colégio e diz que os professores não concursados foram transferidos para escolas da periferia no meio do ano letivo. Mesmo os concursados, complementa, tiveram suas aulas reduzidas e precisaram completar sua carga horária aceitando lecionar em outras escolas.

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