Três turmas da 4 série e uma da educação de jovens e adultos (EJA) da Escola Municipal David Dequech estão tendo aulas em uma sala improvisada em um centro social do outro lado da rua. Desde o ano passado, duas salas do Centro de Promoção Social e Humana, onde até 2001 funcionava a própria escola, estão sendo utilizadas nos turnos da manhã e da tarde para abrigar os cerca de 120 estudantes. A escola tem hoje 650 alunos no ensino fundamental e EJA de 1 a 4 séries.
Para chegar até lá, os estudantes primeiro reúnem-se na escola, que fica na Avenida Winston Churchill (Zona Norte) e depois seguem com os professores, atravessando uma praça e uma rua. A travessia é feita pelo menos quatro vezes por dia, já que o recreio é realizado nas instalações da escola. Também é preciso se deslocar para as aulas de educação física e biblioteca.
A situação se agrava em dias de chuva. Muitas crianças atravessam correndo e acabam chegando às aulas molhadas. A escola chegou a providenciar um grande guarda-sol para transportá-los e por vezes até empresta uniformes aos alunos encharcados.
Na última sexta-feira, ladrões furtaram toda a fiação elétrica da antiga escola. Com isso, os alunos estão tendo aulas no escuro. ''Nós já nos prontificamos a comprar uma nova fiação, mas isso depende de um orçamento feito por um eletricista da prefeitura'', explicou a diretora da escola, Eliana Mara de Souza Zulim.
''É uma situação que deveria ser provisória. Essas salas foram a forma encontrada para atender à demanda de alunos, que cresce a cada ano. Mas a ampliação prometida pela prefeitura não saiu até agora, e o que deveria ser provisório está se tornando permanente'', afirmou a diretora da escola, Eliana Mara de Souza Zulim. Segundo Eliana, a Secretaria de Educação informou que a ampliação da escola, prometida desde o ano passado, só seria realizada caso houvesse um superávit em caixa.
A notícia foi repassada ao conselho escolar e à Associação de Pais e Mestres (APM) ontem de manhã, em uma reunião com a diretora. Inconformados, os pais resolveram se mobilizar. ''Vamos enviar um comunicado para todos os pais, para que eles sejam informados. Também realizaremos um abaixo-assinado e formaremos uma comissão para nos reunir com o prefeito'', relatou a professora Débora Flora Barbosa, que também é mãe de aluno e membro do conselho escolar.
Depois que a escola foi transferida para a nova estrutura, em 2001, o prédio havia sido cedido para uma igreja, que instalou ali o Centro de Promoção Social e Humana. ''A promessa era de que a reforma começasse já no início deste ano. Tanto é que ficou combinado que a igreja ia emprestar o espaço apenas até julho'', informou Débora.
Segundo a secretária de Educação, Carmem Sposti, os projetos arquitetônico e complementares da ampliação da Escola David Dequech já foram elaborados, e agora dependem de um orçamento na Secretaria de Obras. ''Temos outras obras em andamento, e vamos ver se conseguimos inserir essa no orçamento de 2008. Mas não há como ter uma resposta sem saber quanto isso vai custar. Nós trabalhamos em cima de superávit'', explicou. Segundo a secretária, a previsão é de que o orçamento esteja pronto na próxima semana, quando, então, será possível definir se a reforma entra ou não no orçamento.

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