Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) de Londrina e região que aguardam na extensa fila da cirurgia ortopédica ganharam um alento ontem. O Consórcio Municipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) anunciou, em uma reunião pública coordenada pela Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal, a abertura de uma sala cirúrgica exclusiva para cirurgias eletivas no Hospital da Zona Norte (HZN). O local contará com uma equipe exclusiva de profissionais e funcionará em caráter permanente, ao contrário dos mutirões.
Nesta primeira etapa, a prioridade serão casos de média complexidade, que correspondem, segundo a Secretaria de Saúde de Londrina, a cerca de 80% dos atuais 1.994 pacientes que integram a longa fila de espera por uma cirurgia ortopédica. Segundo a diretora de Programação e Regulação do Cismepar, Silva Karla Vieira Andrade, isso se explica pela estrutura disponível no HZN. "Estamos considerando de média complexidade cirurgias de ombro, joelho e pé, e estamos falando de uma estrutura hospitalar disponível, que é a do Zona Norte, onde podem ser realizadas estes procedimentos, além de coincidir, de acordo com os nossos estudos, com a grande demanda reprimida", justificou.
A meta do Cismepar é realizar 700 cirurgias ao longo de seis meses. A capacidade de atendimento da sala é de 100 procedimentos/mês (uma cirurgia pode ter mais de um deles), que representam cerca de 60 pacientes por mês. Quem está na fila por cirurgia deve aguardar o contato do Cismepar. "Eles serão acionados por telefone ou pelo agente da unidade de saúde mais próxima, ou pela Secretaria de Saúde também", acrescentou a diretora.
O Cismepar já tem em sua equipe cinco médicos que vão trabalhar no projeto. Outros quatro já procuraram a diretoria para confirmar interesse em participar. Um chamamento público está aberto para que mais profissionais e empresas possam se inscrever. O pagamento é feito por procedimento, de acordo com uma tabela do Cismepar. Para esta primeira etapa, a Prefeitura de Londrina anunciou que o governo do Paraná liberou R$ 960 mil em 12 parcelas para o custeio de material e das órteses e próteses.
Para quem ainda não será contemplado, só restou aguardar. "A situação é revoltante. Minha esperança era de que houvesse uma novidade agora, mas fazer o quê? Vou ter que esperar e continuar nessa situação por mais tempo", reclamou o porteiro Nilson de Paula, de 48 anos, que está afastado do trabalho há mais de seis meses e aguarda na fila por quase dois anos por uma cirurgia no quadril. "Está muito complicado, não consigo ficar cinco minutos em pé", contou.
"As cirurgias de alta complexidade têm que ser realizadas nos hospitais terciários e nós estamos em negociação com eles para conseguir adequar também para estes pacientes", garantiu a secretária interina de Saúde de Londrina, Suzana Verlingue Rodrigues. Entre as cirurgias consideradas de alta complexidade estão as de quadril, mão e coluna.
Ela revelou ainda uma dificuldade para contratar, por exemplo, profissionais especialistas em cirurgias de mão, pois o valor oferecido não os seduz. "Por isso precisamos de aporte financeiro do governo federal e do Estado para pagar essas cirurgias", citou Suzana.
Uma comissão com integrantes de vários segmentos ligados ao setor de saúde pública foi montada para acompanhar os trabalhos. "Hoje [ontem] foi um avanço, sabemos que não é o ideal, mas temos uma linha a ser seguida. Vamos fiscalizar e dar sustentações aos médicos para que o projeto possa andar", declarou o vereador Gustavo Richa (PHS), presidente da comissão de Seguridade Social da Câmara. As reuniões de acompanhamento serão mensais.

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