Na cidade que teve o nome mudado pela revolução, a estação do trem é patrimônio histórico tombado pelo Estado e a comunidade aguarda a sua restauração. ''O projeto existe há algum tempo, falta a decisão'', informa Joel Alvarenga, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Joaquim Távora, organização civil sem fins lucrativos. Entusiasmado, Joel observa que a estação é um símbolo da cidade e o projeto se encontra na esfera estadual.
No calendário (''folhinha'') com propaganda de estabelecimentos locais, o atrativo é a imagem da estação, construída em 1923, mas ostentando uma placa em que se lê a inauguração em 27 de setembro de 1926. De madeira, é muito semelhante à que existia em Wenceslau Braz.
Tavorense de 1942, neta do torneiro-mecânico Franz George Witzel, que chegou em 1929 para trabalhar na serraria de Affonso Camargo, Elga Oliveti Moreno sabe que a cidade ''começou em volta da linha; meu sogro era carroceiro e pegou o restaurante da estação em 1939, meu marido nasceu lá''. Outra que se entusiasma com a estação é Vilma De Pizol, que tinha dois anos ao chegar à cidade e recorda o embarque de gado no trem, na década de 50. ''A cidade terá uma referência turística se a estação for restaurada'', acredita Vilma.
Atualmente o município tem 9.600 habitantes e sua origem foi o povoado de Barra Grande, em Santo Antônio da Platina. Com o advento da ferrovia, as estações recebiam nomes de personalidades vivas, geralmente políticos. Affonso Camargo, aquela nas imediações de Barra Grande, foi homenagem ao presidente estadual (governador) de 1916 a 1920, depois nome do distrito e do município. Novamente governador a partir de 1928, Affonso foi deposto pela revolução e o general Mário Tourinho, assumindo a chefia do Estado em 5 de novembro de 1930, mudou o nome do município para Joaquim Távora, engenheiro civil e capitão do Exército morto em 1924. Mas, segundo uma ''variante'', a estação também foi denominada Getúlio Vargas.
O cearense Joaquim do Nascimento Fernandes Távora comungava os ideais positivistas dos tenentes, que queriam um Exército político e não apenas subalterno. Em Corumbá (MT) mobilizou o 17º Batalhão de Caçadores em solidariedade ao levante do Forte de Copacabana, em 1922; ao mesmo tempo, o tenente Juarez Távora, seu irmão mais jovem, era contido no Rio de Janeiro, ao tentar aderir com os cadetes da Academia Militar de Realengo. Debeladas as sedições, ambos foram presos e Joaquim desertou. Na revolução de 5 de julho de 1924, em São Paulo, na cidade bombardeada por aviões do governo Joaquim morreu em consequência de ferimentos. Tinha 43 anos.
O movimento de 24 terminou quando a Coluna Prestes se desfez, em 1927. Alguns de seus líderes atenderam ao chamado para a Revolução de 30, comandada por Juarez Távora no Nordeste. (W.S.)

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