Saídas para Japão caem pela metade
Saídas para
Japão caem
pela metade
Informação é do consulado japonês no Paraná
Eliane Eme Sato
Em apenas um mês, a média de dekasseguis que embarcavam para o Japão caiu pela metade, segundo dados do Consulado Geral do Japão no Paraná, sediado em Curitiba. De janeiro a março deste ano, o Consulado emitia cerca de mil vistos de entrada por mês, quando em abril esse número caiu para 500. No auge da emigração, em 1991, 12 milhões de dekasseguis saíram do Paraná para trabalhar no Japão. O cônsul Seinosuke Omae admite que a queda pode estar relacionada à crise do país, mas afirma que ainda é cedo para concluir que será uma tendência permanente. Neste mês, por exemplo, segundo ele, está sendo registrado aquecimento na procura por vistos de entrada.
O cônsul diz acreditar que o Japão continuará sendo um país muito visado pelos descendentes de japoneses do Brasil, devido aos altos salários que oferece. Ele reconhece, porém, que com a crise na economia japonesa muitas empresas deixarão de dar aumento salarial aos funcionários. Mesmo assim, comparando com o salário brasileiro, o Japão continuará sendo atraente, diz. Omae também confia que a economia japonesa tende a se recuperar com as medidas para diminuir a carga de tributação em US$ 30 bilhões num prazo de dois anos. O retrocesso econômico não vai continuar.
Segundo dados do Ministério da Justiça do Brasil, de 1997, são hoje cerca de 200 mil brasileiros trabalhando no Japão. Desse total, informa o consulado japonês no Paraná, cerca de 30 mil saíram do Estado. O cônsul Omae diz que não há levantamentos de quantos brasileiros acabam adotando o Japão definitivamente, como fizeram seus antepassados quando imigraram ao Brasil. Esse número é quase insignificante. A maioria deseja voltar ao Brasil.
Cerca de 10% dos dekasseguis estão retornando ao Brasil devido ao desemprego e aos baixos salários, segundo o médico e vereador Rui Hara (PFL), presidente da Associação dos Dekasseguis de Curitiba, criada no ano passado. As agências de emprego, que antes mandavam centenas de descendentes ao Japão por semana, estão praticamente vazias e muitas fechando as portas, diz Hara. O desemprego naquele país atingiu o índice de 3,2%, número recorde desde a Segunda Guerra Mundial. A média em épocas difíceis era de 1,2%.
A crise na bolsa asiática não está provocando retorno dos dekasseguis ao Brasil. O que ocorre, afirma Hara, é que menos pessoas estão saindo do Brasil em busca de emprego no Japão. Muitos, mesmo com a crise, tendem a permanecer lá, pois têm receio de voltar, na opinião de Hara. Eles sabem que a situação aqui também não é das melhores.
A desestruturação familiar e os problemas de saúde são os principais casos atendidos pela Associação dos Dekasseguis de Curitiba, segundo o presidente da entidade, vereador Rui Hara (PFL). Das cerca de 300 pessoas atendidas desde que a entidade foi criada, no ano passado, em média 50 foram de pessoas que enfrentaram problemas familiares e 50 de dekasseguis que tiveram algum tipo de doença devido ao excesso de carga horária ou ao trabalho pesado.
São comuns entre os dekasseguis, diz Hara, as separações de casais. O homem deixa a família para trabalhar no Japão e a abandona ao conhecer outra parceira naquele país. Mulheres que ficam no Brasil também podem encontrar outros parceiros, provocando o divórcio. São frequentes ainda casos de filhos deixados no Brasil que rejeitam os pais quando estes retornam ao país. O pior é que o dekassegui volta sem condições psicológicas para reestruturar a família, afirma Hara.
As doenças ou a debilidade física e mental são outras consequências sofridas por muitos dekasseguis. Alguns precisam retornar ao Brasil para fazer o tratamento médico. Os dekasseguis são vítimas de stress e das doenças do trabalho, como as lesões por esforço repetitivo (LER). Não são raros ainda casos de dekasseguis que voltam com problemas mentais e depressão. Alguns tentam até o suicídio, diz o vereador.
Ele afirma que, observando as experiências vividas pelos dekasseguis, não vale a pena sair do país para ganhar a vida no Japão. É preciso pagar por isso um preço muito alto, diz. Mesmo assim, muitos conseguem realizar o sonho de voltar ao Brasil e abrir negócio próprio. Os 200 mil dekasseguis brasileiros trazem ao Brasil perto de US$ 4 bilhões por ano, o equivalente a quase metade do valor da safra agrícola do Paraná, que em 1997 foi de US$ 9 bilhões.
Em Curitiba, os dekasseguis procuram a associação para pedir informações sobre a melhor forma de investimento do dinheiro economizado. Buscam ainda assistênca médica, jurídica, amparo social e psicológico.





