Saída de Bassan gera crise na polícia
Giovani Ferreira
O corregedor da Polícia Civil, delegado Anníbal Bassan Júnior, colocou seu cargo à disposição, dando início a uma das maiores crises já enfrentadas pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Junto com Bassan, os outros 12 delegados que compõem o conselho da Corregedoria da Polícia Civil também colocaram seus cargos à disposição do delegado-geral Newton Tadeu Rocha. A mesma providência foi tomada pelo diretor da Escola de Polícia, Adauto Oliveira.
A causa do desencadeamento da crise está relacionada a um Provimento (determinação administrativa) baixado pela Corregedoria da Polícia, que normatiza a atuação e o comportamento dos agentes civis e militares, quando da exposição pública de suspeitos de crimes, de modo a garantir os seus direitos de cidadãos. Apesar de garantidos pela Constituição, esses direitos foram reforçados a partir de uma determinação expressa da corregedoria, para evitar abusos de autoridade por policiais.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Luiz Fernando de Lara, teria considerado o Provimento de Bassan como uma provocação à corporação e pressionou o delegado-geral da Polícia Civil para que a determinação fosse revogada. Bassan teria se recusado à revogação, levando em conta o desgaste do recuo, e decidiu colocar seu cargo à disposição.
Ontem, o corregedor confirmou à Folha que comunicou sua renúncia - gerada por decisão de foro íntimo - ao delegado-geral, Newton Rocha ainda na noite de anteontem. Essa decisão - irrevogável, conforme Bassan - foi reafirmada ao delegado-geral na manhã de ontem.
Apesar da garantia de Bassan, a direção da Polícia Civil alegava desconhecimento da decisão de afastamento do corregedor. A Folha não conseguiu contato com Newton Rocha, mas um de seus assessores, o advogado Clécio Hidalgo, transmitiu que o delegado-geral foi pego de surpresa pela informação. Contrariando o desconhecimento alegado por Newton Rocha, o corregedor demissionário disse que quando do comunicado da decisão, recebeu apelo enfático de que permanecesse no cargo.
Até o início da noite irredutível, Bassan disse que pretende continuar desenvolvendo suas funções como delegado de carreira, mas em outro setor que não a corregedoria. Ele descartou qualquer possibilidade de voltar atrás em sua decisão.
Na tarde de ontem, o delegado Adauto de Oliveira, diretor da Escola da Polícia Civil, também abriu mão de seu cargo.
O delegado Celso Araújo Neves, corregedor adjunto, explicou que os demais delegados da corregedoria colocaram seus cargos à disposição em solidariedade à decisão de Annibal Bassan. No entanto, esclarece Araújo, se o delegado-geral entender que eles precisam permanecer em seus cargos, com exceção de Bassan, os demais delegados devem continuar nos postos.
Consultado pela Folha, o presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Paraná (Adepol), João Ricardo Kepps de Noronha, disse que está aguardando um pronunciamento de Bassan para então tomar um posicionamento sobre o assunto. Noronha ressalvou que o delegado Bassan é extremamente competente em suas funções de corregedor, atuando sempre com responsabilidade, comportamento que lhe garante respeito de todos os demais delegados.
Bassan, que está no cargo de corregedor há menos de nove meses, deve responder pela função até que seja desginado outro delegado para o seu lugar.Corregedor Anníbal Bassan Jr. entrega cargo e é acompanhado por 13 delegados. Causa estaria na pressão do comando da PM contra proteção de presos
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