Saiba o que fazer quando seu animal de estimação morre
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Para muitas famílias, o animal de estimação é como um membro da família. A morte do bicho equivale à perda de um ente querido. Além da dor, os donos têm outras coisas com que se preocupar: dar o destino correto ao cadáver. Em Londrina, a administração municipal oferece o serviço de coleta em domicílio, o que facilita a vida dos proprietários de animais. Por outro lado, a cidade ainda não conta com um forno crematório, equipamento apontado por especialistas como o ideal para dar destinação correta aos bichinhos mortos.
A coleta de cadáveres de animais é feita gratuitamente pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O dono precisa somente acionar a equipe pelo telefone 3379-7900. O animal morto é levado para um ponto de descarga na Estrada do Limoeiro, em terreno da prefeitura. A média de recolhimento é de um ou dois animais por dia. ''Também recolhemos animais de grande porte, como cavalos. Na maioria das vezes, são casos de atropelamento'', revela o coordenador do setor de capina e roçagem da CMTU, Délcio Garcia Martins.
Os animais que morrem no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) também são encaminhados ao aterro na Estrada do Limoeiro. O transporte é feito por equipes da própria instituição. O diretor-interino Ademir Benedito da Luz Pereira revelou que 95% dos donos de animais de estimação mortos no HV deixam os corpos na instituição. ''O método ideal seria o uso de forno crematório. Enterrar o animal em vala comum pode gerar até contaminação do lençol freático'', comenta.
O procedimento padrão do hospital inclui a manutenção do animal morto, acondicionado em saco plástico, em freezer e encaminhamento para o aterro. Os cadáveres também podem passar por necropsia, dependendo do interesse do dono ou dos professores do curso de veterinária.
A necropsia é um procedimento comum nas aulas de anatomia patólogica. A disciplina é ministrada pelo professor Antonio Carlos Faria dos Reis. Experiente, ele está na UEL desde 1976. ''A construção de um forno crematório no campus foi uma das primeira coisas que pedi desde que ingressei na universidade. Já desisti de reivindicar'', resignou-se. Ele explica que outro empecilho para a construção do forno crematório, além do alto custo, é a localização, já que a fumaça e o cheiro podem incomodar a vizinhança. Apesar dos entraves, o professor garante que o forno é a alternativa mais adequada. ''As cinzas podem ser jogadas diretamente na terra, sem riscos de contaminação'', salienta.
O chefe da Vigilância Sanitária em Londrina, Marcelo Viana de Castro, considera que não há problemas em enterrar animais, já que os ''corpos íntegros'' não ofereceriam riscos de contaminação. Segundo ele, resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitem o enterro de corpos de animais, que são considerados resíduos comuns. ''Quem quiser enterrar, não há problema, porque não há risco de contaminação'', garante.


