Brasília - Desde o início do ano, o surto de ebola causou pelo menos 932 mortos em 1,7 mil casos suspeitos em quatro países da África Ocidental: Guiné, Libéria, Serra Leoa e Nigéria. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde decretou situação de "emergência de saúde pública de alcance mundial". O Ministério da Saúde informa sobre as principais dúvidas sobre a doença. Confira:

O que é a doença causada pelo vírus ebola?
A doença do vírus ebola (anteriormente conhecida como febre hemorrágica Ebola) é grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. Ela afeta os seres humanos e primatas (macacos, gorilas e chimpanzés). A origem do vírus é desconhecida, mas os morcegos frugívoros (Pteropodidae) são considerados os hospedeiros prováveis do vírus Ebola.

Como as pessoas são infectadas com o vírus?
O ebola é introduzido na população humana por meio de contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais infectados.

O vírus ebola passa de pessoa para pessoa?
Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas. A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas. A infecção também pode ocorrer se a pele ou membranas mucosas de uma pessoa saudável entrarem em contato com objetos contaminados com fluidos infecciosos de um paciente com ebola, como roupa suja, roupa de cama ou agulhas usadas. Vale ressaltar que o vírus não é transmitido pelo ar.

Quando uma pessoa passa a transmitir o vírus?
O período em que a pessoa infectada pode transmitir só inicia após o surgimento dos sintomas. Durante o período de incubação, a pessoa não transmite.

Quais são os sinais e sintomas do Ebola?
O início súbito de febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta são os sinais e sintomas típicos. A pessoa infectada também tem vômitos, diarreia, disfunção hepática, erupção cutânea, insuficiência renal e, em alguns casos, hemorragia tanto interna como externa. O período de incubação, ou o intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas, pode variar de dois até 21 dias.

Qual é o tratamento?
Não há tratamento específico que cure o Ebola. Alguns tratamentos experimentais têm sido testados, mas ainda não estão disponíveis para uso geral. Os pacientes requerem tratamento de suporte intensivo, realizado em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Alguns pacientes podem se recuperar se receberem tratamento médico adequado.

Como prevenir a infecção pelo ebola?
Várias vacinas estão sendo testadas, mas nenhuma delas está disponível para uso clínico no momento.

É seguro viajar durante um surto?
A OMS não recomenda restrições de viagens para os países onde há epidemia da doença por considerar que o risco de infecção para os viajantes é muito baixo. A transmissão de pessoa a pessoa só se dá com o contato direto com os fluidos corporais ou secreções de um paciente infectado. Além disso, a transmissão ocorre, principalmente, em vilas e povoados de áreas rurais.

É possível ocorrer casos de ebola no Brasil?
Pelas características da infecção, a possibilidade de ocorrer uma disseminação global do vírus é muito baixa. Desde sua descoberta em 1976, o vírus tem produzido, ocasionalmente, surtos em um ou mais países africanos, sempre muito graves pela alta letalidade, no entanto, autolimitados. O surto é considerado grave devido a sua extensão e pela demora no seu controle. Isso ocorre pela precariedade dos serviços de saúde nas áreas em que ocorre a transmissão, bem como pelas práticas e tradições culturais de manter pacientes em casa, inclusive escondendo sua condição das autoridades sanitárias. No Brasil, não há circulação natural do vírus ebola em animais silvestres, como em várias regiões da África.

Como é feita a detecção de casos?
Como o período de transmissão só começa depois que a pessoa inicia os sintomas - e como todo caso de ebola produz sintomas fortes, exigindo que o doente procure um serviço de saúde - a detecção de casos pode ser feita, oportunamente, em locais com serviços de saúde e sistemas de vigilância estruturados, facilitando a interrupção da transmissão. Se uma pessoa vier de um país onde ocorre transmissão e apresentar a doença durante a viagem, a equipe de bordo aplica as normas internacionais vigentes, visando a proteção dos demais passageiros. Além disso, informa às autoridades sanitárias do aeroporto ou porto de destino para a remoção e transporte do paciente ao hospital de referência.

O que deve ser feito se um viajante, proveniente desses países africanos, apresentar sintomas já no nosso país?
Se o deslocamento for realizado durante o período de incubação e só apresentar os sintomas da doença depois da chegada ao país, o serviço de saúde que for procurado por esse paciente deverá notificar imediatamente o caso para a secretaria municipal ou estadual de Saúde ou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A partir da identificação de que se trata de um caso suspeito, já são adotadas as medidas para proteção dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao caso, bem como para evitar que a infecção seja transmitida para outras pessoas.

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