Apontado pela Polícia Florestal como uma das mais importantes ferramentas no combate a crimes ambientais, o serviço de 0800 da Força Verde grupo especial de trabalho formado por policiais e fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) é alvo de críticas por parte de um comerciante de Arapongas. Waldair Michels afirma que tentou formalizar uma denúncia de corte irregular de árvores e pesca predatória no Rio Paranapanema durante duas semanas, sem sucesso.
Segundo o comerciante, os flagrantes foram feitos durante pescarias realizadas de barco, ao longo do rio e na Represa Capivara, em Florestópolis, a cerca de 80 km de Arapongas. ''Vejo com frequência a derrubada de árvores, que acredito serem araucárias, e a pesca com espinhel, uma rede que sei que é proibida'', descreve Michels. ''No entanto, eu tento ligar para o 0800 da Polícia Florestal, mas sempre dá ocupado. Já passei por esta situação antes, quando tentei denunciar um homem que caçava aves silvestres.''
O serviço a que Michels se refere é o 0800-6430304, uma central de atendimento de denúncias com sede em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), onde funciona o Batalhão de Polícia Florestal do Paraná. De acordo com o tenente Marcos Ginotti, da Companhia de Polícia Florestal de Londrina, a central conta com dois postos de atendimento, com escala de revezamento. ''O serviço funciona 24 horas por dia. Lá eles recebem as denúncias e repassam para as companhias de áreas'', explica.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, admite que já ouviu outros usuários criticarem a demora no atendimento. A reportagem ligou duas vezes para o 0800, sendo atendida por um soldado depois de poucos minutos de espera.
De acordo com Ginotti, a companhia de Londrina recebe cerca de 150 denúncias por mês, das quais 90% configuram crimes. Para este atendimento, o efetivo é de 120 policiais, que cobrem uma área de 206 municípios. ''Avalio o efetivo como satisfatório. Este número melhora um pouco, na prática, quando consideramos a Força Verde, que atua em conjunto com os técnicos do IAP'', diz. O instituto, por sua vez, conta com 30 fiscais, atuando em uma área de 26 cidades e 1,3 milhão da habitantes.
O Estado é o 3º no ranking nacional de contrabando de aves silvestres para o exterior. E apesar de não saber quantificar com exatidão, o tenente Ginotti afirma que são comuns os flagrantes de corte irregular de árvores e pesca predatória. ''Só não acredito que as árvores descritas pelo comerciante sejam araucárias. Elas são muito raras na nossa região'', conta.
Ney Paulo afirma também que as reclamações recebidas pelo IAP já foram repassadas à direção geral do Instituto, que deve ampliar a capacidade de atendimento da Central neste ano. Tanto o chefe do IAP quanto o tenente da Florestal reforçam que, além do 0800, os telefones fixos das duas instituições também podem ser usados para denúncias.

SERVIÇO
- Central de Atendimento - 0800-6430304
- IAP - (43) 3323-8791
- Polícia Florestal em Londrina - (43) 3341-7733

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