Sai, enfim, a Central de Órgãos
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Londrina vai ganhar um centro de transplantes de órgãos ligado ao Governo Estadual. Será a segunda entidade paranaense responsável pela captação de órgãos para transplante. A primeira central funciona em Curitiba desde 95.
A inauguração da Central Norte de Procura de Órgãos deve acontecer dentro de 15 ou 20 dias, acredita o coordenador da área médica da entidade, o urologista Marco Aurélio de Freitas Rodrigues.
A Central vem com dois anos de atraso, diz o médico, lembrando que em 95 o Governo do Paraná propôs a criação de vários centros de procura de órgãos no Estado. Estamos brigando há bastante tempo por isso, ressalta Marco Aurélio Rodrigues.
Na opinião dele, a instalação da Central em Londrina é um grande avanço para a região porque deverá representar um aumento no número de transplantes, já que o trabalho de procura de órgãos e identificação de possíveis doadores será sistematizado.
O urologista explica que a Secretaria de Saúde do Estado vai disponibilizar quatro funcionários para trabalho na Central, que ocupará uma sala da 17ª Regional de Saúde. Uma enfermeira e uma assistente social ficarão responsáveis pela visita às unidades de terapia intensiva (UTIs) dos hospitais para identificar prováveis doadores. Também se responsabilizarão pelo contato com as famílias de doadores. Duas assistentes administrativas vão fazer trabalho burocrático e atendimento de telefone.
Marco Aurélio Rodrigues lembra que foi pedida ao Governo do Estado a liberação de 12 funcionários para que a Central ficasse de plantão 24 horas por dia. Com os quatro servidores, será possível apenas o funcionamento em um período de 12 horas, das 7 às 19 horas. Depois disso, a enfermeira poderá ser acionada através de um bip ou telefone celular para casos de emergência.
Futuramente, o coordenador espera a ampliação do quadro de funcionários para a Central, que atenderá os municípios ligados à área de abrangência da 17ª RS. Na semana passada, foi criada uma comissão formada por médicos de várias especialidades para dar suporte técnico gratuito à Central.
Há muito tempo os médicos londrinenses já vêm atuando de maneira voluntária par aumentar o número de transplantes de órgãos, através do Centro de Procura de Órgãos Para Transplante (Cepot), que funciona no Hospital Universitário desde 1992. Marco Aurélio Rodrigues, que também é coordenador do Cepot, conta que todos os profissionais que trabalham no Centro são voluntários e nem estrutura própria eles possuem. A gente usa a sala e o telefone da assistente social do HU.
Por ser um trabalho voluntário, não existe um esquema de ação para a procura de doadores. As pessoas trabalham no horário de folga, resume o médico. Mesmo assim, ele acredita que o Cepot tenha realizado importante trabalho, principalmente na parte educacional, promovendo campanhas para cadastrar doadores e mostrando a importância da doação de órgãos. Temos cadastrados mais de três mil doadores, afirma.
O destino do Cepot ainda não está decidido, avisa o urologista. Ele acredita que o Centro vai continuar existindo, porém se concentrando mais na parte educacional.
Em 20 anos, Londrina já realizou 700 transplantes renais. Marco Aurélio Rodrigues espera que a média anual de transplantes de rim aumente de 40 para 100.
Só que um problema pode ameaçar esse objetivo: o custo cada vez mais alto dos transplantes e a baixa remuneração paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pela cirurgia. Os hospitais começam a manifestar insatisfação com o prejuízo que os transplantes acarretam, comenta o urologista. Segundo ele, quase todos transplantes - 98% - são realizados pelo SUS. Para citar um exemplo, um transplante renal custa em média R$ 20 mil e o SUS paga pela cirurgia uma quantia bem inferior - Marco Aurélio Rodrigues não soube especificar o preço.
Outro problema, lembra o coordenador, é a inexistência de alguns procedimentos indispensáveis à cirurgia de transplante na tabela do SUS. Um deles é o diagnóstico de morte cerebral, que só pode ser feito por um neurologista. Há também os exames realizados nos doadores cadáveres, e que não são cobertos pelo SUS. Os médicos acabam fazendo essa avaliação de graça, afirma Rodrigues.


