Sai condenação de travesti que matou aposentado
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Vânia Moreira 
O travesti Carlos Alberto Aparecido Carneiro, 20 anos, a Carlota, foi condenado a 7 anos de prisão, a serem cumpridos em regime semi-aberto, pela morte do aposentado Pedro Barbosa, 85 anos. O aposentado foi morto a pancadas dia 23 de junho do ano passado dentro da cadeia de Cruzeiro do Oeste (29 km a leste de Umuarama).
Preso por embriaguez, ele passou a noite na cela com Carlota e outro travesti, S.L.S., 16 anos, detidos por brigar na rua. Iniciado terça-feira às 13 horas, o julgamento do travesti durou 13 horas. A sentença foi anunciada na madrugada de ontem.
Por ser menor, S.L.S. responde a procedimento especial. Ele está internado no Educandário São Francisco, em Curitiba. Principal testemunha do julgamento, o menor disse ter matado o aposentado sozinho, depois de ter mantido relações sexuais e se desentendido com ele. Carlota teria dormido o tempo todo.
Este foi o primeiro depoimento de S. à Polícia. Depois ele voltou atrás e contou que Carlota também teria participado do crime. No julgamento, S.L.S mudou novamente a versão, mas não convenceu os jurados.
A condenação surpreendeu Carlota que estava confiante na absolvição. O advogado do travesti, Wilson Silva Longo, sustenta que não há provas de que o réu tenha ajudado a cometer o crime, além dos depoimentos contraditórios do menor.
O advogado pretende recorrer da sentença. Carlota e S.L.S. foram presas em Paiçandu (10 km a leste de Maringá), região de Maringá, dois dias depois do crime, quando o corpo do aposentado foi encontrado na cela.
O assassinato chocou Cruzeiro do Oeste. Mais de 150 pessoas acompanharam o julgamento no Fórum.


