Sai brinquedo, ficam entulho e buracos
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Josiane Schulz 
O que era para ser espaço de lazer e descontração representa agora abandono e até perigo. Os parques infantis de Londrina, construídos pela administração passada com materiais reaproveitáveis - pneus e madeira - estão em situação precária. Aqueles que não estão completamente abandonados, por falta de manutenção, apresentam perigo para as crianças que os frequentam.
A Prefeitura de Londrina, através da Autarquia de Meio Ambiente (AMA), iniciou na última semana um trabalho de recuperação dos parques. Sob o argumento de que os equipamentos de madeira precisavam ser trocados, funcionários da AMA retiraram balanços, escorregas e outros brinquedos dos parques do Zerão e do Igapó 4. Mas deixaram no lugar montes de entulho e diversos buracos. Resultado: os parques se esvaziaram por falta de equipamentos e as poucas crianças que vão brincar nesses espaços precisam ser vigiadas pelos pais para que não se machuquem.
As crianças levaram um susto ao verem o parquinho assim, quase sem brinquedos, contou a dona-de-casa Josefa Pereira de Souza, que sempre leva os filhos para brincar no parque do Igapó 4. Para ela, o parque é mais que um espaço de brincadeiras infantis. É até um ponto turístico. Este lugar é lindo e deveria ser bem conservado.
Josefa de Souza ficou assustada ao ver a filha Bruna, de 5 anos, saindo de dentro de um dos buracos que ficaram com a retirada de um dos brinquedos. Não sabia que era tão fundo. Tudo bem a Prefeitura tirar os brinquedos para trocar, mas eles deveriam ter tomado o cuidado de tapar os buracos.
A comerciária Salete Tieppo, que estava com a sobrinha de 3 anos no único brinquedo que restou para crianças daquela idade, contou que na tarde de quinta-feira uma criança caiu em um desses buracos. Ela não se machucou, mas o susto foi grande. O vendedor Claudemir Galor estava revoltado com a situação do parque. As crianças não podem ter liberdade para brincar, porque podem cair nesses buracos ou tropeçar no entulho. Tenho que ficar vigiando cada passo da minha filha para que não saia ferida do parquinho. É um absurdo.
No parque do Zerão, a situação não é diferente. A professora Ruth da Silva disse estar preocupada com a possibilidade de que os sobrinhos se machuquem no entulho. Esse parque sempre foi uma excelente opção. As crianças se divertem e saem um pouco de casa. Segundo ela, a retirada dos equipamentos acabou sendo uma iniciativa negativa. A renovação dos brinquedos era necessária, já que alguns estavam quebrados e não ofereciam muita segurança. Mas a Prefeitura não poderia ter deixado esses buracos e o entulho.
Fora da região central da Cidade, a realidade dos parques é outra. No conjunto Maria Cecília (zona norte), o único parque está abandonado: nenhuma criança brincando e os equipamentos deteriorados. A dona de uma bicicletaria que fica em frente ao parque, Maria Lúcia Cardoso, contou que há muito tempo as crianças não brincam mais ali. No começo o parque estava sempre cheio, mas houve depredação e nunca a Prefeitura veio arrumar. Agora a rapaziada usa o espaço para jogar futebol e as crianças não têm onde brincar.
O presidente da Autarquia de Meio Ambiente (AMA), Nelson Kohatsu, explicou que todos os parques infantis construídos com material reaproveitado serão revitalizados. Segundo ele, foram retirados apenas os equipamentos feitos de madeira, por estarem desgastados. Esses equipamentos precisam ser trocados periodicamente, num prazo máximo de dois anos, para que não ofereçam risco aos usuários.
Sobre os entulhos e buracos deixados nos parques, Kohatsu disse que vai apurar as responsabilidades. Foi negligência do encarregado pelo serviço. O presidente da AMA afirmou que iria solicitar que uma equipe tapasse os buracos e recolhesse os entulhos. Mas também está havendo falta de compreensão das pessoas que utilizam o parque.


