Safra de maconha - Aumentam apreensões no Paraná
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A produção e o comércio de maconha permanecem ativos durante todo o ano mas é no primeiro semestre que mais plantações são descobertas e destruídas no Paraguai, principal produtor da erva nas Américas, e mais carregamentos são apreendidos em território brasileiro. Historicamente, o Paraná sempre foi uma das principais portas de entrada de ''cannabis sativa'' no Brasil, mas desde o ano passado, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Estado também vem sendo usado por traficantes de crack: metade das apreensões desde então aconteceu em estradas paranaenses.
As quadrilhas aproveitam as dificuldades sócio-econômicas vividas pelos camponses e também o fácil acesso à fronteira com outros países. Entre os meses de janeiro a abril deste ano, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) destruiu mais de mil hectares cultivados no Paraguai, que renderiam cerca de três mil toneladas de maconha. Em todo o ano passado, foram destruídos 1,5 mil hectares (cerca de 4,6 mil toneladas de maconha).
Caso não fosse destruída, grande parte deste entorpecente teria entrado no Brasil via Paraná. Dados da Superintendência da PRF indicam que o Estado respondeu por 36% (16,4 toneladas) de todas as apreensões realizadas no Brasil em 2007 (44 toneladas). De janeiro até 22 de maio deste ano, a PRF apreendeu no Estado 52% de toda maconha descoberta no País: 3,9 do total de 7,5 toneladas. O Estado também se transformou em rota preferencial dos traficantes de crack. No ano passado, foram pegos 145 kg (49% do total nacional de 295 kg) e outros 85 kg de janeiro a 22 de maio deste ano (43,5% do acumulado no Brasil).
Numa das principais fronteiras de entrada de entorpecentes, Foz do Iguaçu, o inspetor da PRF, Ricardo Schneider, confirmou que a maconha é colhida no primeiro semestre, daí a concentração das apreensões. ''Nosso efetivo é pouco mas se desdobra para fazer as tarefas do dia a dia e também combater o tráfico'', garantiu.
Na região de Cascavel, outra rota muito usada pelas quadrilhas, o chefe do núcleo de policiamento e fiscalização da PRF, João Roberto Secco, apontou que as apreensões são frequentes o ano todo. Ele exemplificou que apenas durante o feriado de Corpus Christi, foram apreendidos quase 155 kg da droga. ''Os presos, normalmente, não sabem quase nada. Pegam o veículo em um local e o deixou em outro, sem saber a quem pertence a droga'', observou.
Alguns dos carregamentos acabam sendo flagrados por outras forças policiais. No Posto da Polícia Rodoviária Estadual de Rolândia, por exemplo, nos últimos 10 dias foram feitos três flagrantes de tráfico que somaram quase 300 kg de maconha e resultaram na prisão de cinco pessoas (e um bebê foi entregue à Justiça). O maior ocorreu anteontem, quando a equipe do sargento Nilson Volponi apreendeu 153,7 kg de maconha em um Cross Fox de Paranaguá.


