Saem retratos falados de assaltantes
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Célia Baroni Londrina 
A Polícia Civil apresentou ontem os retratos falados dos três homens que assaltaram o Posto do Banestado no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no dia 30 de maio. E já tem pistas de um dos suspeitos envolvidos no crime. Durante o assalto, os ladrões mataram o policial militar Marcos da Silva Freire, 29 anos, com um tiro na cabeça e feriram outras duas pessoas. Era dia de pagamento e os ladrões levaram R$ 5.780,00. Na sequência, a mesma quadrilha assaltou o Banestado de Prado Ferreira (Norte do Estado), levando R$ 8 mil.
Com a divulgação dos retratos falados, a população também vai poder ajudar na captura dos envolvidos no crime, diz o delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Valdir Abrahão da Silva, que preside o inquérito. O assaltante que matou o PM tem cerca de 22 anos, é moreno claro, alto, tem porte atlético, bigode, cabelo curto e crespo. O outro é branco, baixo, magro, tem o cabelo comprido, repicado e batido. Já o terceiro assaltante é moreno escuro, aparenta de 30 a 40 anos, estatura média, pesa cerca de 70 quilos, rosto redondo, cabelos crespos e curtos.
Os retratos falados apresentados pela polícia têm até 90% de fidelidade, mas não equivalem a uma fotografia do criminoso. Uma pessoa que conhece um ou mais dos envolvidos vai reconhecê-los nos retratos falados. Mas quem nunca os viu antes terá uma certa dificuldade em associar a pessoa ao desenho, comenta o delegado.
Para Valdir Abrahão, o ideal seria que as agências e postos bancários contassem com o sistema de circuito fechado de câmeras exigidos em lei. Valdir Abrahão cita o exemplo de um assalto recente a um cartório da Cidade. Eles tinham câmara interna. O assalto aconteceu no final da tarde. No início da noite as vítimas apresentaram a fita. De madrugada um dos dois assaltantes já estava preso.
Até agora foram ouvidas 10 testemunhas e outras seis já estão com data agendada para depor. Mas o delegado acredita que, no decorrer do inquérito, outras testemunhas deverão aparecer. Havia cerca de 60 pessoas dentro da agência na hora do assalto. Tenho certeza de que algumas delas podem ter informações importantes, mas ainda não se resolveram a ajudar, acredita. Silva esclarece que quem quiser ajudar não precisa se expor e pode contar com sigilo absoluto.
As informações colhidas até agora levam a polícia a acreditar que a quadrilha que assaltou o posto da UEL é formada por londrinenses e pessoas de outras cidades. Isso é comum. O ladrão nunca rouba onde mora para não ficar muito visado e dificultar o trabalho de identificação, diz. Um dos indícios da parceria é o fato de que eles chegaram a pé no posto bancário, que fica no Centro de Ciências Exatas (CCE), perto do acesso à rodovia PR-445.
Após o assalto, os três homens fugiram correndo em direção à rua Faria Lima, onde deveriam ter um carro esperando para completar a fuga.


