Arquivo FolhaSacoleiros durante protesto ocorrido no ano passado, na fronteira entre Brasil e ParaguaiGuias de turismo e sacoleiros que fazem compras em Ciudad del Este fecharam anteontem à noite a BR-277, em Foz do Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e Paraguai, em protesto contra a ação de policiais rodoviários e civis que, segundo afirmam, cobram propina para liberar ônibus e mercadorias durante a viagem de volta. O protesto durou 45 minutos e causou um congestionamento de três quilômetros.
Cerca de 300 ônibus formaram uma barreira impedindo o tráfego de veículos no sentido Foz do Iguaçu-Cascavel. Para bloquear a via contrária, eles usaram tambores de areia utilizados na obra de duplicação da rodovia.
O protesto aconteceu durante a saída do chamado ‘‘comboio da muamba’’, no início da noite, quando vários ônibus de turismo, que transportam compristas diariamente para o Paraguai, se juntam e entram nas rodovias paranaenses. Eles saem em comboio para evitar roubos e assaltos.
Os sacoleiros chegaram a depredar o Posto de Pesagem de Veículos na entrada de Foz do Iguaçu. Mesmo assim a Polícia Rodoviária considerou o movimento pacífico.
Os protestos não atingiram os policiais federais nem os fiscais da Receita Federal que, segundo eles, apenas cumprem a obrigação de fiscalizar. De acordo com os líderes, o alvo eram os policiais rodoviários e civis que, conforme acusam, achacam os sacoleiros pelas rodovias.
Desde o ano passado, a PRF tem poder de fiscalizar ônibus que, segundo o órgão, é uma fiscalização rotineira como acontecem em cargas de caminhões.
O comandante da Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu, Enio Rossi, afirmou que o movimento é um ato de vandalismo para pressionar os órgãos de fiscalização da fronteira a acabarem com as operações de combate ao contrabando e ao tráfico de drogas. ‘‘Há meios legais para pedir providências em casos de achaques. Na base da pressão, ninguém vai ceder’’, disse.
Ainda assim, o comandante informou que aguarda um relatório completo sobre o episódio, que deve estar pronto hoje. Rossi prometeu investigar as denúncias sobre o achaque, mas disse que vai levar em consideração as informações que obteve sobre a pressão feita pelos sacoleiros aos fiscais da Receita Federal, que atuavam no Posto da PRF de Santa Terezinha (14 quilômetros de Foz do Iguaçu). Eles deixaram o posto depois de ameaças de depredação.
Das centenas de pessoas que desceram dos ônibus para protestar, a maioria atua no contrabando de cigarros e equipamentos de informática. ‘‘Chega de achaque. Eles vivem de roubo de cigarros’’, afirmou Everton Ponzoni, de São Paulo, que cruza a fronteira duas vezes por semana para comprar cigarros e revendê-los em bares da capital paulista.
Segundo o sacoleiro Ricardo de Oliveira, no Paraná existem 20 pontos de parada para fiscalização da Polícia Rodoviária e Receita Federal. Ele denuncia os policiais e agentes que cobram pedágio para liberar os ônibus com mercadorias compradas no Paraguai. ‘‘Alguns chegam a pedir R$ 10,00 por passageiro, mas há outros que exigem até R$ 1.000,00 reais para liberar um ônibus. Basta uma farda para eles terem o direito de achacar os sacoleiros’’, acusa.

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