Sacoleiros interditam rodovia em Foz
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quinta-feira, 24 de abril de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
Gazeta do IguaçuDescontentesOs sacoleiros chegaram em 300 ônibus e fecharam a BR-277, em Foz do Iguaçu, por cerca de 3 horas Um protesto reunindo cerca de 5 mil sacoleiros interditou a BR-277, em Foz do Iguaçu, durante três horas, anteontem à noite. A manifestação se prolongou das 19 às 22 horas e provocou 5 quilômetros de congestionamento. A rodovia é a única ligação da fronteira com as demais regiões do Brasil.
Procedentes de todo o País, os sacoleiros reclamaram das blitze que estão sendo feitas na estrada pela Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal, com o objetivo de apreender mercadorias contrabandeadas. Segundo eles, policiais rodoviários e agentes da Receita Federal estariam cobrando propina para liberar os ônibus sem fiscalização.
Outra denúncia feita pelos sacoleiros é de que fiscais da Receita estariam confiscando mercadorias sem expedir o comprovante do termo de apreensão, que é obrigatório. Eu já dei mais de R$ 20 mil para eles (policiais e agentes da Receita), disse Divino Souza Freire, que mora em São Paulo.
Foi a segunda vez, em dois meses, que os sacoleiros brasileiros que fazem compras em Ciudad del Este, no Paraguai, fecham a BR-277. Por volta das 19 horas, enquanto era realizada mais uma operação conjunta entre Receita e Polícia Rodoviária, eles chegaram à rodovia em 300 ônibus. Os veículos foram desligados na pista. Depois de descerem e, gritando palavras de ordem, os sacoleiros fecharam a estrada. O protesto não obteve o apoio da Associação Brasileira dos Sacoleiros (ABS), com sede em Foz do Iguaçu. Mas o presidente da entidade, Raimundo Ramos dos Santos, concorda com a alegação dos sacoleiros. Todas as autoridades sabem que os achaques acontecem 24 horas por dia.
A Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal informaram ontem que não receberam nenhuma denúncia formal de que seus funcionários estariam extorquindo sacoleiros.
Segundo o inspetor-chefe da Polícia Rodoviária em Foz do Iguaçu, Ênio Rossi, os sacoleiros teriam feito a ameaça de depredar o posto policial da rodovia caso algum ônibus fosse parado na blitz. Eles deveriam formalizar a denúncia ao invés de tumultuar a rodovia, reagiu a delegada-substituta da Receita Federal em Foz, Mara Lúcia Galli. Ela informou que os fiscais do órgão são obrigados a fornecer às pessoas que têm mercadorias apreendidas a papeleta do auto de apreensão.


