Sacerdócio é desafio no século XXI
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local 
Doação. Talvez essa seja a palavra mais adequada para definir a vida de um padre. Para desempenhar a função, além de abrir mão do convívio familiar e de determinados bens materiais, é necessário assumir o celibato. Não se pode negar: estas exigências são verdadeiros desafios para o ser humano, especialmente no século XXI. A própria Bíblia diz que muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.
No entanto, quando a vocação fala mais alto e o chamado divino é realmente forte, todo o esforço é válido e recompensador. O arcebispo de Londrina, dom Orlando Brandes (35 anos como padre e 15 como bispo), afirma que o religioso tem muitas gratificações. Pode fazer o bem, ajudar a libertar pessoas, unir famílias, orientar a juventude, cuidar das crianças e buscar soluções para os problemas sociais, afirma.
Apesar das vantagens, o arcebispo observa que em Londrina existe uma grande carência de jovens vocacionados. A cultura moderna e liberal dificulta a inserção no seminário. Além disso, o apego dos pais com os filhos é muito grande e as famílias estão se afastando da religião, explica.
De acordo com o arcebispo, o celibato acaba influenciando a decisão dos jovens. A opção requer muita maturidade, decisão e oração, mas as vantagens do celibato são muito maiores, assegura.
Dom Orlando revela que os padres são orientados a realizar uma propaganda motivadora, a fim de atrair os jovens para o sacerdócio. Não existe nenhuma determinação e nem cota. Às vezes o bispo pode sugerir que cada padre mande um vocacionado até o fim do ano.
Escutar o chamado
Na opinião do padre Manuel Joaquim, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Porecatu (Norte), ninguém vira padre porque acha graça nesse estilo de vida, que não tem atrativos materiais nem sociais. Quando a gente encara o celibato sempre tem um chamado, uma vocação, diz, ressaltando que está convicto de que Deus continua chamando os jovens nos dias de hoje, mas muitos não têm a oportunidade de escutar.
Segundo ele, a vida religiosa precisa ser alimentada com cursos permanentes e o padre precisa ter um equilíbrio psicológico, afetivo e moral. No que diz respeito ao celibato, padre Manuel é categórico ao afirmar que a pessoa não pode encarar esta opção como algo castrador, que frustra o desejo de construir uma família. É preciso ser feliz dessa forma, observa.
Com mais de cinco décadas de vida religiosa, frei Adelino Frigo garante ser uma pessoa realizada. Ele conta que em sua família aconteceu algo peculiar. Somos em 13 filhos, dos quais quatro são religiosos. Eu sou padre e tenho três irmãs freiras, diz o frei, que entrou no seminário aos dez anos. Para ele, a perenidade é o maior desafio de um religioso e, antes de entrar no seminário e concretizar os votos perpétuos, o jovem deve ter certeza do que quer. Eu comecei a estudar para ser padre ainda na infância, mas não aconselho ninguém a entrar tão cedo assim, observa.
O frei Alessandro Farinásseo, coordenador do Serviço de Animação Vocacional dos Freis Capuchinhos congregação religiosa da Igreja Católica explica que atualmente os candidatos a padre chegam mais tarde aos seminários. A média de idade é de 20 anos. Antes aceitavam-se crianças, mas hoje o perfil das famílias mudou. É importante amadurecer o chamado vocacional e ter experiências afetivas e no mercado de trabalho, afirma.
Para se tornar padre é necessário cursar a faculdade de Filosofia e Teologia. São cerca de oito anos de preparação antes de ser ordenado. É um período de reflexão e de estudo, explica frei Alessandro.


