Quem já passou pela BR-376, a rodovia que leva a Maringá, deve ter visto, na entrada de Marialva (17 km a leste de Maringá), um grande monumento em formato de cacho de uva indicando que a cidade de 30 mil habitantes é a capital nacional da uva fina. O título é merecido. Por baixo de seus parreirais, o município esconde uma história empolgante de empenho de agricultores e diversos detalhes e segredos, que fazem com que Marialva seja destaque nacional.
Ocupando uma área de apenas 1,5 mil hectares de um total de 45 mil de terras agricultáveis do município, a uva responde por 50% do dinheiro que o homem do campo produz por lá. Indo adiante nos números, todos os anos, nas duas safras, uma no verão e outra no inverno, os 750 pequenos produtores - é difícil encontrar alguém que plante mais de 2 hectares - colocam no mercado nacional em torno de 40 mil toneladas de uva. A produção se distribui por diversos estados do país.
Para entender qual é o segredo deste sucesso, só indo para o campo. Segundo conta José Mazia, implementador de fruticultura para a região noroeste da Emater, tudo começou na década de 1960, com os descendentes de japoneses da região, os primeiros a apostarem na uva. Com o tempo, as terras vermelhas daquelas bandas começaram a ser invadidas pelas monoculturas mecanizadas, como a soja. Dessa forma, os filhos de quem tinha terra iam embora da cidade. Por isso, houve um grande incentivo por parte de instituições, como a própria Emater, para que a uva ganhasse espaço. Os agricultores apostaram na idéia, usaram a criatividade, trabalharam bastante. O resultado não podia ser outro.
O capricho de quem cuida da videira, põe nas mesas do Brasil afora um produto que enche os olhos e, literalmente, ''dá água na boca''. ''A uva só dá prejuízo quando ela não é bem cuidada'', explica o produtor Edson José da Silva, que já está há 22 anos no negócio.
Detalhes garantem o resultado final que dá o nome de ''fina'' para a fruta produzida no Paraná. Vendo o trabalho de quem cuida das videiras é possível começar a entender porque as áreas plantadas em cada propriedade são pequenas, mesmo com o negócio sendo classificado como rentável: a uva dá trabalho. Quase tudo é feito manualmente.
Desde os ''chapeuzinhos'' de plástico que cobrem cada um dos cachos, evitando a umidade e os passarinhos, passando pela poda dos ramos e raleamento dos cachos e chegando à colheita, tudo é feito com cuidado e técnica. Um descuido siginifica prejuízo certo. Por deixar de instalar os ''chapeuzinhos'', Silva já perdeu 50% de sua produção. E o trabalho não pára por aí. É preciso também utilizar uma substância química, à base de Cianamida, que estimula a brotação da planta. Uma tela especial protege as parreiras do granizo. ''É trabalho que não acaba mais'', resume o produtor.
Há também a necessidade da pulverização. Porém, para facilitar a sua vida, Silva conta com uma invenção baseada na criatividade. Ele encomendou a um mecânico da cidade um carrinho que lhe ajuda bastante no dia-a-dia. Em um chassis de Fusca reduzido, aproveitou o motor e implantou um pulverizador. Na medida para entrar no meio da parreira, a ''engenhoca'' adianta o serviço.
Contudo, no fim da safra, suar a camisa vale a pena. Compradores de todo o Brasil vão até a cidade em busca da uva. No caso de Edson José da Silva não sobra nada para vender no comércio local. O produto chega a sair por R$ 3,50 0 quilo, dependendo do comportamento do mercado. A produtividade média das propriedades de Marialva por safra é de 16 mil quilos por hectare. O município comercializa, com a uva, 60 milhões de reais por ano.

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