Saber esperar para poder ajudar
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quarta-feira, 05 de março de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local5 
O desespero é sempre um péssimo conselheiro. Principalmente em casos de vida ou morte. Quando alguém que a gente ama sofre um acidente, a primeira reação é tentar socorrer. No entanto, dependendo da situação, a melhor coisa a fazer é esperar. Em casos de atropelamentos e acidentes de trânsito, é preciso dominar o pânico e aguardar a chegada da ambulância do Corpo de Bombeiros. Os socorristas do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências (Siate) alertam: em caso de trauma, a primeira ação de qualquer pessoa próxima à vítima deve ser chamar o Siate, através do 193.
Quem passou por isso, sabe bem como é difícil. Foi assim com Valdirene Vieira, 23 anos, que presenciou o filho Shesley Vinícius de apenas 1 anos e 9 meses ser atropelado por uma motocicleta anteonte. Desesperada. ela nem pensou em chamar o Siate e levou o filho para o hospital. A decisão não foi a melhor e trouxe ainda mais sofrimento para a família.
O acidente aconteceu na Rua 2 do Jardim Monte Cristo (Zona Leste), onde Valdirene caminhava com o menino e sua outra filha, de 3 anos. Ela conta que foi tudo muito rápido. ''Eu não vi como aconteceu, só sei que quando olhei, meu filho estava rolando entre o pneu da moto. O motoqueiro parou para me ajudar. Ele até queria ligar para o Siate mas eu só pensava em ir para um hospital, não queria esperar, estava com medo do meu filho morrer ali. Então comecei a gritar e pedir ajuda para os moradores até que um vizinho apareceu e se ofereceu para levar meu filho para o Pronto Atendimento Infantil (PAI)'', contou.
Dentro do carro, a agonia de Valdirene continuou. Enquanto segurava o menino cheio de sangue, ela viu que o filho estava tendo convulsões. Sem saber o que fazer, agiu por instinto. ''Eu chupei o sangue dele pela boca e ele colocou tudo para fora. Daí, ele começou a ter convulsão, então eu coloquei a mão na boca dele para ele não se afogar com a língua''.
Ao chegar no PAI, o menino recebeu atendimento imediato. Ele havia sofrido trauma de crânio, fratura do fêmur e escoriações em diversas partes do corpo. Não demorou para que os funcionários do hospital percebessem que o caso era grave e não poderia ser atendido ali, já que o PAI não tem estrutura de hospital terciário. A própria unidade então acionou o Siate.
''Quando chegamos lá, ele já estava sendo avaliado mas a situação era grave e apesar de todos os cuidados, o PAI não tem estrutura para atender casos de trauma como esses. Se ele tivesse alguma lesão na coluna cervical, por exemplo, poderia ter problemas sérios ou até mesmo morrer porque ele foi transportado de uma forma totalmente equivocada'', salientou o socorrista Guido Silvério de Jesus, que atendeu a ocorrência.
Ainda segundo Silvério, procedimentos como esses, embora bem intencionados, às vezes causam mais mal do que bem. ''Num caso como o dele, que foi atropelado no Santa Fé, nossa viatura sairia da central na Rua Tietê e chegaria no local em 5 ou 7 minutos, no máximo 10 minutos quando é horário de rush. Com certeza também levaríamos um médico conosco, diante da gravidade do estado da criança. O ideal nesse tipo de situação seria deixar o menino imobilizado, sinalizar o local do acidente e aguardar a chegada da viatura'', ensina Silvério de Jesus.
O menino continua internado em estado grave no Hospital Infantil de Londrina e deve passar por vários exames para avaliar a gravidade do trauma na cabeça.


