Sábado é dia de aula na Vila Ricardo
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Levantar cedo num sábado, ou até mesmo num domingo, para ir à escola é sinônimo de pesadelo para qualquer aluno. Mas quando a atividade não envolve livros e cadernos, e sim esporte e artes, as crianças correm para o colégio em busca de diversão. Foi pensando em fazer do conhecimento algo prazeroso, e promover a integração da escola com a comunidade, que a direção do Colégio Estadual Ana Molina Garcia, localizado na Vila Ricardo, Zona Leste de Londrina, se inscreveu no Programa Escola Aberta, do governo federal.
Há um ano o colégio esperava pelos recursos para dar início às oficinas. Finalmente o dinheiro chegou e as primeiras aulas começam no próximo sábado, como informou o diretor auxiliar, Jorgisnei Ferreira de Rezende. Segundo ele, as oficinas são gratuitas e devem beneficiar mais de 300 moradores do bairro, além dos cerca de 800 alunos. Serão oferecidas aulas de artesanato, culinária, hip hop, teatro, grego e hebraico, capoeira, percussão, alongamento e relaxamento, construção de instrumentos e dança de salão.
Conforme Rezende, a comunidade respondeu como previsto. ''Tiramos o discurso de trazer a comunidade para dentro da escola do papel. Com o programa queremos elevar a auto-estima dos moradores. Quem sabe até não surge a partir das oficinas um projeto de economia solidária para gerar renda às famílias?''
Segundo ele, os temas das oficinas foram escolhidos com base nas demandas da comunidade e os próprios moradores serão os professores. Cada oficina terá entre 15 e 20 participantes e acontecerá aos sábados e domingos. Ao todo foram destinados R$ 21 mil para o programa, que pagará R$ 5 por hora para cada oficineiro. ''Cerca de 60% do dinheiro pagará a ajuda de custo aos oficineiros e 40% será destinado à compra dos materiais para as aulas.''
O diretor explica que o programa é anual e o repasse de recursos é feito a partir da apresentação de um projeto metodológico. Ao final de um ano, é feita a prestação de contas para a União, que decide se é viável ou não manter as oficinas no ano seguinte.
No ano passado, a violência corria solta pelos corredores do Ana Molina: até uma professora foi agredida por alunos durante a aula. Mas a aproximação da direção do colégio com os estudantes, e com os moradores do entorno, modificou esta situação. ''Parti do princípio de que não há nada que a polícia resolva que a escola não pode resolver sozinha e assim consegui mudar a mentalidade dos alunos. Muitos voltaram a estudar aqui depois disso'', contou Rezende.
Realidade
Maria de Lurdes Malta é agente cultural e será a representante da comunidade da Vila Ricardo dentro do colégio durante as oficinas. Para ela, a oportunidade de utilizar o espaço da escola para promover o lazer aos moradores é única. ''As oficinas são a realidade da comunidade, que colocou bastante expectativa no programa. A escola nunca se abriu antes e tínhamos que usar espaços alternativos'', relembrou Maria.
Segundo ela, o programa poderá, a longo prazo, mudar a característica da escola, conhecida pelos casos de violência. ''É um ganho para o bairro. Para mim, a arte é o caminho da transformação e humanização'', opinou a agente cultural, reforçando que as oficinas também estão abertas a moradores de outros bairros. ''Onde o programa já foi implantado percebemos que a integração com a escola superou os portões do colégio, ganhando praças e centros comunitários.''


